15 de jul. de 2013

Resenha - O Príncipe de Cristal, de Jossi Borges

O PRÍNCIPE DE CRISTAL é um romance curto e água-com-açúcar, em que a Autora Jossi Borges escreveu no intervalo entre suas outras produções literárias, de forma espontânea e despretensiosa.

Nesse livro, o sobrenatural está presente na forma de um belo e delicado casalzinho esculpido em cristal. Apesar de ser apenas duas estatuetazinhas muito bem feitas, Yarilo e Frilla possuem uma parcela da alma do artista que os esculpiu, dando a eles, de certa forma, uma vida repleta de sensações e sentimentos.

Isanne é uma decoradora de ambientes especializada em Feng Shui, que se utiliza de sua sensibilidade extra-sensorial para trabalhar a circulação de energias nos locais onde realiza as suas consultorias. Sua vida muda drasticamente quando ela conhece, em um antiquário, o casal esculpido em cristal, um "príncipe" e uma "princesa" medievais. Ao tocá-los, Isanne tem uma estranha sensação e isso é determinante para ela adquirir as encantadoras esculturas, apesar da maldição que lhes é atribuída.

Ao levar as esculturinhas de cristal para casa, coisas estranhas começam acontecer, como vultos aparecendo no quarto de Isanne à noite e um fatal acidente envolvendo Rick, o jovem ex-namorado que muito a decepcionou... teria esses estranhos acontecimentos alguma relação com as estatuetas e a maldição que as acompanha?

Meu Achismo:

O Príncipe de Cristal é uma literatura rápida, que fiz em duas viagens de trem, indo e voltando do trabalho, algo em torno de 2 a 3 horas.

Com o livro se conhece alguns conceitos interessantes sobre o Feng Shui e sobre a teoria de haver algo de Energia Vital ou Psicoenergia nos objetos, especialmente os artesanais, transmitida pelo artesão, conferindo uma parcela de sua alma à "criatura" inanimada.

Achei que Jossi Borges se focou demais em Isanne e trabalhou pouco nas partes das manifestações sobrenaturais. Poderia ter dado mais ênfase a Yarilo, o Príncipe de Cristal. E o desfecho do livro se deu de forma brusca se comparado ao restante da trama, que ocorreu lenta exatamente por muito exaltar a vida da protagonista. Poderia ter rendido mais umas 50 páginas, tranquilamente, afinal o assunto é interessante e muito diferente do que encontramos na Literatura contemporânea.

É um livro curto, despretencioso, feito para entreter. Gostei da ideia de se escrever um livro nesses moldes para exercitar a escrita e a criatividade entre uma e outra obra maior.

Para adquirir o livro, acesse o Clube de Autores ;)

13 de jul. de 2013

Lançamento - Hybrida, Asas Negras, de Pat Kovacs


Lançado ao público desde o dia 1 de julho, o livro Hybrida 1 Asas Negras está disponível para aquisição no site "tábua de salvação de escritores rejeitados" Clube de Autores.

Para quem já acompanha há muito tempo o nosso trabalho, conhece essa novela de Asas Negras... e não me refiro ao gênero literário que, talvez, se encaixe. Para quem só começou a nos acompanhar agora, então contarei mais uma vez e novamente essa conversa que já virou papo de velho - daquelas histórias que são repetidas 300 vezes.

Asas Negras foi pensada, pela primeira, em 1997, como uma história em quadrinhos no estilo mangá, influenciada por alguns mangás e animes que eu consumia na época. Então, AN foi roteirizada para ser uma HQ. As primeiras 30 páginas foram desenhadas, mas o meu desânimo não me permitiu ir além disso.

Engavetei o projeto.

Em 2009, me submeti a uma cirurgia e ganhei 15 dias de licença médica e mais um mês de molezinha no trabalho. Então, nesse período tedioso, deu um estalo e fui resgatar aquele caderninho velho e despencado com os rascunhos do arremedo de roteiro de HQ, para fazer uma experiência: escrever uma história totalmente minha, depois de ter passado 4 anos escrevendo fanfics de Harry Potter.

Não foi fácil... naaaada fácil. Na época, ainda usando o mesmo pseudônimo das fanfics, o Snake Eyes, escrevi e publiquei no site Fiction Press, que é uma filial do FF.net apenas para as publicações de história originais. Então, feliz da vida, eu ia escrevendo e publicando cada capítulo no site e tinha até um público cativo - pequenino, mas tinha! E, ainda naquela época, existia o Orkut, que foram seus áureos tempos, e através dele consegui maior divulgação e público para a leitura online de AN, que podia ser classificada como web-novela.

Estava tudo muito lindo, muito divertido, até que alguma criança que apreciava muito AN resolveu plagiar, copiando os capítulos e publicando no Nyah! Fanfictions como se fosse de autoria dela. Como estávamos relativamente famosos naquela época, uma leitora do Orkut me alertou para esse fato e tivemos que fazer o site retirar o texto do ar, banir o usuário e eu tive que remover todos os capítulos já postados no Fiction Press, deixando apenas o prólogo como degustação.

Essa "novela" durou 2 anos, até eu conseguir finalizar o livro.

Finalizado em 2011, enviei para o Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional e, uns 3 meses depois, obtive o registro de AN. Pronto para publicar? Quase.

Fiz algumas cópias no Clube de Autores para presentear algumas amigas no Natal de 2011. Depois disso, em 1º de março de 2012, juntei coragem e cara-de-pau e enviei o original para avaliação da Editora Rocco, que faz uma média com 'novos' autores e abre as suas portas para esse bando de pobres diabos (eu incluída, ok?). Ela faz mas não faz, é só para fazer parecer que é legalzinha, afinal ela é uma das maiores editoras do Brasil e não ficaria bem na fita ela virar, descaradamente, o nariz para nós pobres diabos. Mas acho que vender ilusões e esperanças vãs é pior...

Quando eu já estava certa de que AN tinha ido para o arquivo redondo da editora, eis que me chega um email da Rocco informando que o original tinha ido para a leitura de avaliação... isso foi em agosto de 2012.

Tá. Dei um crédito a eles, afinal eles me desmentiram em minha convicção de que a coisa tinha ido bonitinha para o lixo. No email, informavam que a avaliação levava um prazo médio de 180 dias. Já se passaram 330. Tudo bem, sou ruinzinha em matemática, mas sei que 180 é metade de 360 e, tecnicamente, o prazo deles está estourado... ?

Bem, cansei de esperar. Então, há uns 3 meses, vinha fazendo uma revisão bem cricri de AN, cortando cenas, melhorando diálogos, polindo os personagens... até que a coisa ficou pronta no final de junho. Dei os toques finais, tentei fazer uma diagramação jeitosinha e mandei tudo pro Clube de Autores em 1º de julho.

Agora Asas Negras está disponível para quem quiser encomendar o seu exemplar. Apesar do preço salgado de R$ 43, posso afirmar que não é um preço tão absurdo assim e nem tão destoante dos demais livros vendidos nas livrarias. O Clube é uma gráfica sob demanda, isso quer dizer que ela apenas imprime o livro se ele for encomendado antes, por isso o preço é salgadinho, mas pode ser parcelado em até 12 vezes no cartão de crédito.

Então é isso. Hybrida, Asas Negras, é o meu bebê fofo recém nascido, embora tenha sido o primeiro original que comecei a escrever. Foi um longo percurso para chegar até aqui, mas chegou, e AN é o meu mais novo legado para o mundo.

Está aí pronto, para quem quiser ;)

Para conhecer mais você pode acessar:

 






11 de jul. de 2013

Resenha - Joshua, de Oscar Mendes Filho

JOSHUA é o nome do protagonista e a história do livro é sobre os vampiros clássicos, daqueles em que o glamour atual passa longe, e essas criaturas das trevas são o que são, verdadeiramente: predadores de humanos.

O protagonista é um Caçador de vampiros que se desperta ao presenciar, pela primeira vez, um ataque dessa criatura. Algo dentro de Joshua inflamou e se acendeu, fazendo com que ele destruísseis o vampiro de forma quase instintiva. Antes disso, o rapaz vivia um longo período de inferno astral: desempregado, abandonado pela família e amigos, fazendo bicos degradantes para sobreviver. Joshua estava mergulhado em suas próprias trevas, sem encontrar uma razão que justificasse e desse sentido à sua vida nula. Ironicamente, o Caçador que jazia nele lhe trouxe força e vigor, preenchendo seus dias e lhe dando novas perspectivas.

A princípio, Joshua caçava apenas para se sentir útil, acreditando que assim salvava vidas, livrando o mundo de terríveis vampiros. Mas o útil se uniu ao agradável quando ele é contatado e contratado por uma organização secreta e secular denominada P.O.L.: Pessum ire of Lamia, que cuida de eliminar a ameaça vampírica em todo o mundo há muitos séculos.

Isso, para Joshua, foi a sorte grande! Além de ter o trabalho facilitado pela P.O.L., o rapaz começou a ganhar muito dinheiro exercendo a sua função de Caçador, de forma muito eficiente e profissional, que faz dele o melhor de toda a organização... e também alvo dos vampiros-mestres!

Meu Achismo:

Oscar Mendes Filho tem uma narrativa muito boa, que flui nos textos, prendendo a atenção e sem entediar o leitor.

O Autor foca bastante no mundo subjetivo de Joshua, dando a ele humanidade e um ponto de identificação do leitor com o personagem. Oscar Mendes aproveita para levantar algumas questões existenciais que, certamente, a maioria de nós possui, e deixa registrado o seu ponto de vista acerca do mundo em que vivemos. E essa qualidade no texto me surpreendeu, uma vez que dificilmente vemos nos livros atuais uma preocupação maior em mostrar o lado humano da história, ao invés de apenas fatos e ações. E falo isso de publicações gerais, ao menos as que já li, incluindo best-sellers vendidos em Americanas da vida.

Há, porém, alguns chiliques desnecessários do personagem, dando demasiada carga dramática à cena, mas nada comprometedor, pois se compensa com a frieza e calculismo nas ações dele.

E Oscar poderia ter deixado a bela Hanna viva... aquela morte dela foi traiçoeira! Mas, também, inesperada, logo não-clichê.

Joshua é um livro de Ficção Fantástica de Terror, publicado de forma independente pelo Clube de Autores, e que pode ser adquirido neste link. Se você está cansado desses vampiros gostosões e bonzinhos, saudoso das velhas e boas bestas infernais que essas criaturas são de fato, eis uma ótima sugestão de aquisição e leitura =) 

E visite o blog do Autor, Prisioneiro da Eternidade.

9 de jul. de 2013

Resenha - Protetores, de Duda Falcão

Protetores é o primeiro romance de Duda Falcão, que já publicou diversos contos em várias antologias e a web-novela Hylana nas Terras de Lhu, que pode ser downloadada aqui.

O livro Protetores conta as aventuras de um grupo organizado pelo misterioso Antonio Vilemum, tendo por missão caçar e destruir criaturas das Trevas, que vão desde vampiros, passando por capetinhas e indo até magos negros! O grupo é formado por pessoas que possuem algum dom especial, variado entre eles, e são reunidas no intuito de criar o grupo para lutar contra as ameaças invisíveis de criaturas trevosas, destruindo esses seres perversos e protegendo as pessoas comuns que sequer imaginam que tais coisas existem além do mundo imaginários.

Jango, Mirah, Ordep, Wells, Jhava, Astrid, Rufus e o pequeno demônio Gargul formam o peculiar grupo de Protetores, regidos sob a batuta de Antonio Vilemum, um sujeito obscuro e inconfiável, auxiliado pela velha índia Fátima, uma vidente que prevê o futuro através dos sonhos, com a capacidade de contatar astralmente a quem ela quiser.

Meu Achismo:

O Romance é contado através de capítulos que são aventuras fechadas em si, lembrando muito a um seriado de TV. Esse tipo de narrativa é uma novidade na Literatura, pois os atuais Escritores têm diversas outras influências em sua bagagem do que os antigos, que apenas possuiam a Literatura propriamente dita, quando muito o Teatro também. E, ao que me parece, Duda Falcão se inspirou nas partidas de RPG que jogou com os amigos, que são devidamente homenageados em sua obra (que inveeejaaa!!!). O texto é ágil, dinâmico, embora eu sinta falta de mais introspecção e passagens mais lentas, que ajudem a conhecer melhor os personagens (sorry, eu sou devagar, é uma das minhas deficiências).

Duda Falcão liberou a sua criatividade ao inserir criaturas e situações sem medo de ser feliz. Até a Deusa Gaia se faz presente em um dos capítulos-episódios de Protetores! Mas não apenas de aventuras e horror vivem os Protetores. Uma das criatividades do Autor foi inserir uma espécie de pausa entre uma aventura e outra, em que aproveitou para contar em off um pouco da vida de cada personagem de forma isolada.

Apesar dos personagens típicos do RPG clássico e de alguns cenários desagradáveis (não gostei de ter que descer ao esgoto junto com os personagens no capítulo "O Amuleto do Barão Moreau" - fiquei nauseada, sério >.< ), Protetores é um livro mais divertido do que aterrorizante, e algumas vezes você se pega ansioso por saber qual a próxima aventura que os heróis enfrentarão, tal qual uma boa série televisiva =)


8 de jul. de 2013

Resenha - Agridoce, de Simone Marques

Agridoce é o primeiro livro de uma série em que Simone Marques flerta, aborda e degusta com o universo vampírico, porém dando nova roupagem, aroma e sabor à já tão badalada lenda dos mortos-vivos que precisam do sangue alheio para sobreviver.

Esta não é a primeira obra de Simone que pego para resenhar e fico na dúvida se classifico como Ficção Fantástica ou apenas Ficção. Pois, apesar de Agridoce ser sobre "vampiros", a Autora recontou a lenda de uma forma que o sobrenatural desapareceu para ceder lugar ao verossímel, ao passível de acontecer, que pode vir a existir de fato na nossa realidade. 

Isso porque o vampirismo do livro é transformado em uma condição especial que surge espontaneamente, como fosse uma "doença genética". Essa condição especial dá nomes especiais à tríade vítima-vampiro-caçador, que se torna escravo-portador-antagonista.

Nessa renovação de antiga lenda, os "vampiros" que não são exatamente  vampiros, levam uma vida quase normal como qualquer outro mortal, sendo eles, inclusive, também mortais. Nada de anti-cristos e anti-símbolos cristãos, de virar pó sob a luz do sol, aversão a certos condimentos e mesmo incapacidade de se alimentar de outra coisa que não seja sangue humano... aliás, o que não falta em Agridoce é condimentos e pratos saborosos!

Anya nunca foi uma menina muito normal. A paranoia do pai, Edgar, fez dela uma esquisita, uma criança que cresceu trocando o dia pela noite (o terror de todos os pais, menos o em questão), repleta de zelos e cuidados, temendo que ela tivesse herdado da mãe a alergia ao sol, que morreu quando Anya tinha apenas 6 anos. Mas a "doença" que a garota herdou era muito, mas muito mais ingrata. E Anya despertou para essa condição aos 20 anos, quando foi atraída pelo "Mensageiro", que se aproveitou da fraqueza dela por aromas.

Assim como ocorre com todos os Portadores de tal condição de dependência por sangue alheio, junto com Anya despertaram o Escravo, um garoto de programa delicioso chamado Daniel, e o Antagonista, o não menos delicioso Doutor Dante, que viverá um terrível conflito, afinal ele deverá ser o assassino de sua Portadora, sendo ele alguém que jurou cuidar e salvar vidas!

Até nesse ponto, aposto em um romance tórrido e repleto de conflitos entre Anya e seu Antagonista. E batalhas internas é um dos meus temas preferidos em histórias =)

Meu Achismo:

Apesar de eu não ser fã de vampiros, a história contada por Simone Odete Marques me cativou. A Autora trabalha a narrativa de forma lenta, o que dá tempo ao leitor de assimilar os acontecimentos e conhecer intimamente os personagens. Esmiuçar a personalidade de cada personagem central da trama deixa a história mais rica e tira o protagonista do centro das atenções, dando uma visão mais ampla e menos egóica, porém essa importância demasiada dada aos demais personagens precisa de um limite. Nesse ponto, eu acho que a Simone Marques peca ao inserir muitos personagens e contar demais da vida deles; a Autora até dá nomes aos figurantes. Acho que isso complica um pouco o lado do leitor, que acaba se perdendo em uma multidão de personagens que recebem um destaque maior do que merecem.

Fora isso, Agridoce é um drama repleto de sensualidade, em que a personagem principal, Anya, desperta para uma vida completamente diferente de sua antiga vidinha casta vivida sob a proteção do manto da noite, de casa para a faculdade onde cursava Gastronomia, com a vida social mais nula que a minha! A reviravolta em sua vida se dá no corpo e no espírito, e nós leitores acompanhamos a sua dramática adaptação a um novo mundo totalmente diferente... amargo, mas revestido de alguma doçura.

Para adquirir o livro, clique aqui :)


7 de jul. de 2013

O perdão é a percepção de que a acusação é um erro - John Ruskan

 
Mais uma postagem referente ao livro "Purificação Emocional", de John Ruskan. O livro merece e deve ser lido por você, mas faremos algumas palhinhas por aqui, de partes muito interessantes.

Dessas partes, destaco o que ele fala sobre o PERDÃO. Nessas épocas em que a busca por ascenção espiritual tem sido a meta de muitos, em que muitos buscam espiritualizar-se cada vez mais, retornando ao seu Eu Interior, acaba-se por ainda cair - e muito - nas armadilhas do Ego, interpretando de forma equivocada aquilo que os Mestres, Guias vêm nos ensinar. O perdão é um desses equívocos. Não o fato e a urgência de se perdoar os outros pelas ofensas que pensamos que cometem contra nós. Conseguir perdoar de verdade alguém que nos magoou é uma grande vitória, visto o quanto é difícil, mas, ainda assim, é apenas mais uma manipulação do nosso Ego e também uma manifestação do nosso orgulho: "Sou tão espiritualizado e superior que sou capaz de perdoar o fulano que me maltratou". Então, prepare-se para uma grande surpresa... os nossos Mestres nos ensinam que devemos perdoar porque é o mais fácil!

No livro Purificação Emocional, John Ruskan aponta o fato de que o mundo externo é a materialização do nosso mundo interno. Que as nossas vivências e as atitudes dos outros perante nós são as projeções de nossas emoções estagnadas, de nossos sentimentos suprimidos e cuidadosamente estocados no nosso inconsciente. Partindo da premissa da pluralidade das existências, os equívocos cometidos por nós em encarnações pretéritas surgem como faltas no presente pedindo retificação, quando nós mesmos, inconscientemente, buscando a reparação dos erros cometidos. Porém, essa reparação também vem de uma forma equivocada. Como diz Joanna de Angelis, o remorso é o arrependimento tardio, gerando a culpa - que, para piorar, é muito cultuada por nossa sociedade ocidental, galgada na tradição judaico-cristã. A culpa é um sentimento autodestrutivo e não é um sentimento primário, que pode levar tanto à vitimização (quando se acredita que o outro ou mesmo o mundo é o responsável por nossa mazela pessoal), quanto ao espírito de réu que deve ser duramente punido. Ambos resultados da culpa se projetam no mundo. Na "vítima" criando situações em que ela parece mesmo ser vítima das circunstâncias ou dos outros; no "réu" criando-se situações degradantes que sirvam-lhe de punição.

Resumindo: Não é o outro ou o mundo que me agride, me pressiona, me prende. O outro está reagindo a um sentimento meu, suprimido no inconsciente. E fazemos isso mutuamente. Portanto, não há vítimas ou réus, logo não há culpados a serem perdoados.

Então, nesse caso, o autoperdão é que deve ser exercido, quando não aceitamos os nossos equívocos e nos punimos por isso. Nos autoperdoarmos transformará o mundo, pois movimentará aquela energia estagnada que foi criada pelo sentimento suprimido, fazendo com que complete o seu ciclo de vida e se desfaça.

Voltando ao início. Perdoar é ensinado porque é mais fácil. Mais fácil do que olhar para dentro de si mesmo e se assumir, e assumir que somos responsáveis por aquilo que criamos. Somos responsáveis, inclusive, pelos acidentes que sofremos, pelas dificuldades que enfrentamos. Encarar isso e aceitar é, realmente, muito mais difícil do que "simplesmente" perdoar o outro.

@patkovacs.

O perdão é a percepção de que a acusação é um erro.
O perdão é, sem dúvida, uma qualidade desejável, mas muitas vezes compreendemos mal seu significado. Perdão significa finalmente ver que a outra pessoa não foi de fato responsável pelo que pensamos vir dela. Às vezes, tentamos nos forçar a perdoar, achando que estamos sendo espirituais ou amorosos, ou numa simples tentativa de evitar a dor. Continuamos acreditando que o outro é responsável pelo que nos aconteceu, mas o perdoamos por sua conduta.
Tal "perdão" é intelectual, falso e auto-enganador. Perdemos ainda mais contato com a experiência interior. Ele pode até inflar o Ego, pois achamos que fomos bastante generosos para perdoar. O verdadeiro perdão consiste em entender que a acusação original foi falsa, e não em conceder o perdão por um mal que acreditamos erroneamente nos ter sido infligido.
A acusação é particularmente relevante na dinâmica pai-filho, intensamente focalizada pela terapia tradicional. Somos encorajados a perdoar nossos pais, muitas vezes sem entender que deveríamos assumir nosso passado. Esse tipo de terapia pode funcionar a longo prazo, mas a questão é: outra abordagem mais realista funcionaria mais eficazmente? Já discutimos que escolhemos nossos pais e o ambiente inicial para servirem de catalisadores de nossa personalidade. Os eventos da infância ativam o que já está latente no subconsciente da criança, um ponto de vista discutido e apoiado por psicólogos transpessoais atuais.

Muitas vezes, negamo-nos a abandonar a acusação devido a nada mais do que o orgulho. Inconscientemente, entendemos a verdade de que somos responsáveis por nossa experiência. O egoísmo consicente, porém, quer acusar porque está se defendendo. Ele não quer sentir que poderia ser bastante tolo para prejudicar a si mesmo. É da natureza do ego, e de uma pessoa altamente egocêntrica em particular, sempre ter razão, e é pela acusação que o sentimento de superioridade costuma ser cultivado.

A auto-acusação, ou culpa, é uma variação sobre a dinâmica da acusação básica. Ao nos acusarmos, protegemo-nos em nível mais profundo, assim como acusar os outros protegerá o Ego da percepção de sua responsabilidade por sua experiência.

John Ruskan, Purificação Emocional.
Editora Rocco, 2001.
Publicada inicialmente em Matéria Astral.

6 de jul. de 2013

Purificação Emocional - John Ruskan

 
No livro "Purificação Emocional", de John Ruskan, o autor vem ensinar aquilo que ele levou 20 anos para descobrir, depois de muito trabalho em sua reforma íntima, tema tão em voga hoje, principalmente nos meios espiritualistas.

Segundo Ruskan, os nossos problemas externos se devem, em muito, às emoções suprimidas, não vividas na sua totalidade e jogadas para o fundo do subconsciênte. Por alguns motivos internos, principalmente o medo, tendemos a evitar que um sentimento que surja se faça presente diante de nós. Rejeitando esse sentimento, ele não desaparece. Ele precisa ser sentido na sua totalidade, completar o seu ciclo de vida e só então ele desaparecerá. Não é que se sente raiva e deverá sair chutando as coisas por aí, mas deixar que a raiva passe por você, analisando o que vem por trás dela, compreendendo-a. Será uma sensação desagradável, neste exemplo, mas a energia manifestada por este sentimento não será bloqueada e suprimida no seu cerne.

O livro, no entanto, é complexo para ser esplanado numa simples postagem de blog. Então, fica como uma dica de leitura para aqueles que estão cansados desse nosso teatrinho de vida e querem que as cortinas de abram definitivamente, mostrando como a vida é, de verdade.

Segue um pequeno trecho do livro, explicando cada tipo de sentimento.
Aprenda a reconhecer seus sentimentos:

SENTIMENTOS PUROS são sentimentos não filtrados pelo sistema de crenças pessoais, e poder ser físicos, fisiológicos ou psicológicos. Você pode estar cansado, faminto ou saciado; você poder ter topado com a perda, o ganho, a rejeição ou as boas-vindas. Os sentimentos puros carecem de conteúdo emocional. Eles são meras sensações de experiência objetiva/subjetiva. Se você perceber um sentimento puro, não haverá necessidade de processar; você já estará sincronizado com sua experiência e não experimentará tensão.
 EMOÇÕES resultam de sentimentos puros filtrados por crenças. Por acreditar que não deveria se cansar, você fica deprimido; por acreditar que não deveria ser rejeitado, você fica triste. As emoções, quando se repetem com vigor, indicam uma crença subjacente significativa. Elas poderão ser clarificadas se forem relacionadas ao centro da consciência que as produz. Os tipos de emoções com que nos preocupamos icluem: medo, ansiedade, impulsos sexuais, o vício de alimentos e subtâncias químicas, raiva, compulsões de poder, tristeza, depressão, solidão, possessividade, desamparo, dinâmica de relacionamento e qualquer emoção que você possa identificar em si mesmo. Se você conseguir enxergar como cria as emoções filtrando sentimentos puros por meio de crenças, ficará mais fácil integrar suas emoções. Porém, isso não é normalmente possível, pois a maioria das crenças é inconsciente. Em nosso trabalho não procuramos confrontar intelectualmente e modificar as crenças, pois elas são mantidas por energia suprimida e são difíceis de serem modificadas deliberadamente. Pelo contrário, nós integramos a emoção produzida pela crença. A integração da emoção provoca uma liberação de energia suprimida, e a crença se desfaz naturalmente.
MAU HUMOR são sentimentos vagos de desconforto ou dor que não são tão graves para serem considerados grandes problemas, mas que nos acompanham quase como temas repetitivos. Você pode sentir que não tem bom aspecto, nunca está à vontade, é inseguro quanto a si mesmo, não se solta com os outros, detersta gastar dinheiro, é anormalmente faminto, nervoso, insatisfeito etc. Maus humores aparentemente inócuos representam outros padrões de energia mais básicos. Os maus humores não devem ser desprezados. Geralmente, eles podem ser relacionados aos quatro primeiros centros de energia (chakras) e estarão ligados a problemas suprimidos, como insegurança, desequilíbrio sexual, baixa auto-estima, solidão etc. Trabalhar com maus humores provavelmente contribuirá tanto para a auto-integração como trbalhar com os eventos emocionais intensos de sua vida. A meditação é o melhor momento para trabalhar com maus humores periódicos.
ATITUDES  se baseiam em energia, podendo, portanto, ser processadas. AS atitudes representam nossas defesas, nossas opiniões e, em geral, padrões suprimidos.

IMPULSOS E DESEJOS  relacionam-se à motivação; são a ânsia interior por satisfazer necessidades percebidas. E, ver de agir motivado por eles e correr atrás da ilusão da satisfação, você pode liberar a energia de um impulso ou desejo negativo por meio de seu processamento. Os impulsos costumam ser mais irracionais do que os desejos. Com os desejos, julgamos entender por que precisamos de algo, embora muitos dos nossos desejos sejam compulsivos e jamais possam ser realmente satisfeitos.

COMPULSÕES VICIADORAS são impulsos relacionados a vícios. Somos complelidos a buscar o objeto do vício para evitar outros sentimentos, mas o processamento nos oferece uma alternativa. O trabalho com o sentimento por trás da compulsão pode proporcionar uma liberação sem termos de ceder ao padrão viciador. Trata-se de nossa abordagem básica ao lidar com o vício. Por exemplo, caso experimente ansiedade crônica quando está sozinho, que leva ao impulso de procurar outras pessoas, você poderá decidir que o impulso é compulsivo e um vício. Se você trabalhar com a própria ansiedade, em vez de ser motivado por ela, poderá acabar se libertando do vício.

SENSAÇÕES CORPORAIS  formam uma classe de sentimentos autônomos. Elas poder ser imaginadas como físicas, mas na verdade ocorrem no corpo de energia. Por isso, sensações corporais indicam um estado de energia, e uma sensação recorrente indica bloqueio de energia. Uma sensação forte denomina-se "sintoma". É importante sintonizar-se com o corpo para permitir a percepção de sintomas. As sensações são processáveis e levarão a uma quantidade inesperada de liberação emocional, pois o corpo de energia é a origem das emoções. A percepção corporal é central a certar disciplinas de meditação, cuja prática consiste em se sentar e perceber as sensações corporais. O trabalho com as sensações corporais contribui muito para o desenvolvimento da capacidade de sentir, pois o sentimento ocorre no corpo. À medida que você se tornar mais sensível a si mesmo, descobrirá que emoções e sensações ocorrem em conjunto. TRata-se da intergace corpo-mente já discutida. O início de um padrão é percebido primeiro nas emoções ou no corpo. Seja qual dos dois você esteja percebendo, focalizá-los levará o outro aspecto para a percepção.

Do livro Purificação Emocional.
Autor John Ruskan.
Editora Rocco, 2001.
 
Esta postagem foi publicada inicialmente no blog Materia Astral, em 06/06/11.

3 de jul. de 2013

Mangá - Psychic Detective Yakumo

O mangá já se encontra em seu segundo volume e até agora estou enrolando com esta postagem em meus rascunhos no Blogger :/

PSYCHIC DETECTIVE YAKUMO é o novo lançamento da Editora Panini, e tráz uma história sobrenatural de Espíritos e outros bichos.

 Yakumo possui um olho "especial", vermelho, e com ele enxerga os Espíritos que ainda estão presos à Terra. O seu dom, que nesse tipo de história tem-se a mania de chamar de maldição, é usado para ajudar os Espíritos a se libertarem daquilo que os aprisiona ainda ao mundo dos vivos, solucionando crimes.

O mangá possui 8 volumes encadernados em seu original japonês ( o que deve dar uns 16 na versão brasileira ), um anime com 13 episódios ( e que podem ser assistidos aqui, online ), um dorama ("novelas" japonesas) e uma peça de teatro. 

Esta é mais uma  das minhas aquisições mangáticas e literárias que estão sendo - já - socadas nas minhas prateleiras, apenas aguardando a minha leitura. E é desta forma que quero juntar dinheiro para comprar minha kitnet e reduzir o número de coisas para carregar...

 Pela resenha que li sobre a animação de Yakumo, não me parece uma história tão interessante assim, infelizmente. Porém, a temática me é muito atraente, afinal é pública e notória a minha queda por Espíritos e Demônios. A arte me agrada e acredito que o mangá não será decepcionante - e  nem pode ser! Afinal meu dinheiro não é capim e nem acho ele por aí!

Sinopse

A história nos conta sobre um estudante universitário, Saitou Yakumo, que nasceu com diferentes cores de olhos. Seu olho esquerdo vermelho deu-lhe uma habilidade especial de ver fantasmas e espíritos. 

Ele acredita que fantasmas e espíritos estão ligados à terra por causa de uma causa certa e simplesmente eliminar essa motivação faria com que aqueles espíritos descansem em paz. 

Certo dia, Ozawa Haruka, aluna da mesma universidade de Yakumo, pede ajuda para resolver um estranho caso sobrenatural, e, juntos, eles começaram uma série de investigações.


2 de jul. de 2013

Mangá - Blood C


MAIS UM novo mangá sendo publicado no Brasil e vendido nas bancas de jornal de todo país. MAIS UM para somar às minhas despesas com esse antigo vício que eu havia me expurgado e que voltou com força total (pelo visto ¬¬'), depois de quase 10 anos de abstinência!

Oras, mas será que posso ser perdoada por isso? Não tenho vida social, não fumo, não cheiro, não bebo, não injeto e não tenho carro, logo preciso de algo que me faça menos santa, não é?

BLOOD - C é uma co-produção dos estúdios Production I.G. e CLAMP. Está sendo publicado no Brasil pela Editora Panini com periodicidade bimestral. No Japão, a série já conta com 4 volumes encadernados, o que dará por volta de 8 volumes na versão brasileira.

Esse mangá é a nova franquia de Blood - The Last Vampire, um game para PlayStation que foi lançado no final de década de 1990, que virou animação de longa metragem (e uma puta animação!), mangá (que foi lançado no Brasil em 2007 em volume único), filme (que aqui recebeu o título "Caçadores de Vampiros" ); tornou-se, depois, a série de mangá e anime Blood +, sendo que o mangá foi dividido em Blood +, Adagio e Youkai Joushi; e agora Blood - C : Izayoi Kitan.

O mangá você pode adquirir nas bancas de jornal ou em lojas especializadas, inclusive pela internet (descobri que a Saraiva também comercializa mangás e é até possível conseguir revistas já fora de circulação e números antigos das que ainda estão em andamento). Quanto aos animes, você poderá fazer uma busca pela internet, YouTube ou em sites especializados em exibições online. Aqui encontrei dois: AniTube, com 12 episódios legendados de Blood - C, e AnimeQ, com Gekijouban Blood C - The Last Dark, dividido em 4 partes.

Desnecessário dizer que amo a temática de Blood (agora uma franquia): demônios, caçadores, espadas, meninas lindas mas heroínas sem nenhuma frescura, que são fatais, mas não "fêmeas". Tanto gosto que muitos textos meus são inspirados nessas histórias japonesas, principalmente Amaldiçoados, que é completamente inspirado em Blood :)

Um dia leio o mangá. E um dia resenho.

1 de jul. de 2013

Revista Literária - Arte e Letra: Estórias

A cegonha dos Correios me entregou, na última sexta-feira, o mais novo rebento da Editora e Livraria Arte & Letra, a Revista Literária Arte & Letra: Estórias, que já se encontra em seu número, quero dizer, letra U.

A Arte&Letra : Estórias é uma publicação alternativa que quase beira o underground. Ao abrir o envelope e me deparar com o livro-revista, fui transportada ao tempo das zinagens, quando eu era agraciada com esse tipo de publicação que vinha de todo o país (e algumas de fora também). Às vezes, acontecia de aparecer uma, mais raramente, com a qualidade gráfica da revista em questão.

É uma revista trimestral e sua edição mais recente é a U, que tráz contos diversos, inclusive do ótimo Cesar Alcázar, que me presenteou com o exemplar. Até então, não conhecia tal publicação e já deu para perceber quanta coisa boa perdi!

Há uma mescla de ilustrações coloridas e contos diversos, de autores estrangeiros e nacionais. Nesta edição, Cesar Alcazar nos apresenta um novo personagem, que já promete conteúdo para muitas histórias: Caim Hoonholtz, que, até onde li do conto Sonhos de Ópio na Casa Dourada do Pecado, tráz as características marcantes e infelizes comumente encontradas nos trabalhos de Alcázar. Mocinhos cheios de qualidades, justos e bondosos? Nem pensar! Anti-heróis sofridos, desgraçados e muitas vezes mal pagos! Mas, sim, com algo de bom e justo, ao modo deles. E tudo isso temperado ao sobrenatural não-convencional.

O homem estava em um canto escuro da sala. Tinha a cabeça deitada em cima da mesa e escondida pelos braços. Mohr pediu a um empregado da casa para trazer uma vasilha com água, cujo conteúdo foi logo despejado sobre o homem adormecido. O inglês então falou:     
– Caim Hoonholtz, eu presumo.
As dinâmicas ilustrações que compõe a revista são de autoria do pintor já falecido Paul Carfunkel, que faz uma deliciosa mistura de materiais, que vai desde a aquarela, o pastel, o crayon até a caneta, compondo cenas de forma que lembram Sumi-ê - e que dá a maior vontade de copiar o estilo, rs.

Os demais autores presentes na revista são Sax Rohmer, E. F. Benson, Yuri Al'Hanati, L. Frank Baum, Jaroslava Hasek, Voltaire, Guillaume Apollinaire, Carlos Eduardo de Magalhães, Grazia Deledda e Daniel Dago.

A revista Arte&Letra : Estórias pode ser adquirida no próprio site da Editora, onde você encontrará outras obras bastante interessantes no catálogo, desde Literatura Fantástica Nacional até livros artesanais que lembram muito o cordel.

Para mim, além de ter sido um presente de muito bom gosto, foi também um grande achado ao conhecer esse trabalho e a Editora Arte & Letra :)
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