8 de fev de 2013

É Carnaval!

Ilustração de Marcita - http://www.marcita.com/Carnaval
E a roda do ano não para, continua girando potente, arrogante, previsível mas insensível às nossas mesquinhas necessidades de Mais Tempo e aos nossos draminhas pessoais. Eis que mais um Carnaval chega e - graças ao calendário litúrgico - este ano foi cedo! Tão cedo que ainda tenho enfeites de Natal lá em casa para guardar!

Apesar da aparente crítica, isso é uma coisa que acho boa. Falo do tempo que nunca para, feito um tanque de guerra passando por cima de tudo e de todos sem mudar o seu curso por nada nem por ninguém. Sim, acho isso uma coisa boa, pois mostra o quanto somos pequenos, igualmente a todas as outras criaturas do Planeta, seja animal ou vegetal. Então, esse Deus Poderoso e Irrestrito não tem compaixão de ninguém: esmaga, devora, passa por cima. Mas também cura, ameniza, nos obriga a andar para frente, preferencialmente à sua frente.

Mais um Carnaval. Cada vez mais elitizado, cada vez mais esquisito, cada vez menos folclórico, cada vez mais profano e nada mais de religioso, embora seja uma data estipulada por uma religião. Mais um Carnaval, mas nunca como os outros. Nenhum é igual ao outro.

O pior é que gosto. Ou gosto do que ele já foi. Dos carnavais da minha infância - papo de velho, isso! Gosto das fantasias, gosto do samba, gosto do batuque. Apenas não gosto de barulho, de muvuca, de gente desiquilibrada que perde as estribeiras. Odeio multidão e a muvuca que hoje se tornou o Carnaval de rua, com gente bêbada e drogada, fedendo a mijo e álcool.

Então, como àqueles carnavais que eu curtia com minha mãe, na adolescência também com alguns amigos, não existe mais - se existe, está há 2, 3 horas da minha casa e eu não vou até ele para descobrir se é, pelo menos, parecido. Aliás, já fui e só o que vi foi um amontoado de perdidos atrás de um bloco que já passou há muito tempo.

Meu Carnaval, mais uma vez, será nerd, andando atrás do bloco "Nóis lá in casa" (quer dizer, dentro do "bloco"), com minhas batatas transgênicas sabor pimenta, meus ovinhos de amendoim (só se eu achar os da Elma Chips), minhas Coca-Colas e Antárticas (que estão com ilustrações do Ziraldo), diante dos computadores ou dos filmes em DVD que não vi até hoje, fazendo revisão de textos, escrevendo o primeiro trabalho para o Tecnológico em Gestão de Turismo que me meti a besta em fazer (que já é pra entregar até o dia 25!), passando aquele sacolão de roupas acumuladas desde .... (não digo!) e o que mais for possível fazer neste feriadão que nem é tão ão assim, visto que logo será quarta-feira de cinzas.

Seja como for o seu Carnaval, se vocÊ vai sair no bloco "Eu Sozinho", "Nóis lá in casa" ou mesmo no "Odeio CArnaval", ou se vai mesmo cair no samba, em blocos de rua, no barzinho da esquina ou em desfile nas Escolas de Samba, que seja sempre bom, que dele só permanceça apenas boas lembranças quando a Quarta de Cinzas chegar!

Brinque, sambe, se divirta na moral! Porque a fantasia é só cobertura temporária e vocÊ é a realidade permanente pelos próximos dias até o fim da sua jornada aqui. Se cuida, porque ninguém vai te cuidar.

Deixo na sua companhia um dos sambas-enredos mais bonitos do Rio de Janeiro, que quase levou a minha Mocidade Independente de Padre Miguel à vitória em 1992, tornando-se injustamente vice-campeã e daí ladeira abaixo. Ela que já foi a única a ter Bateria Nota 10 e que inovou muito, com muita criatividade.

Mas, como vim dizendo desde o início da postagem... isso foi em outros carnavais.

Saudável e Bom Carnaval! Até a Quarta de Cinzas ;)


Mocidade 1992 2/15- Sonhar Não Custa Nada! Ou Quase Nada

Sonhar não custa nada
o meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
era tudo que eu queria
Para esse carnaval
Deixe a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a Mocidade
E sonhar com o pé no chão

Estrela de luz
Que me conduz
Estrela que me faz sonhar

Amor, sonhe com os anjos (não se paga)
Não se paga pra sonhar
Eu sou a noite mais bela
que encanta o teu sonho
Te alucina por te amar (amar, amar)
Eu, sou a lua de mel
A estrela no céu
Vem me querer

Delírio sensual
Arco-íris de prazer
Amor, eu vou te anoitecer

Eu vejo a lua no céu
A Mocidade a sorrir
De verde-e-branco na Sapucaí.

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