13 de jun de 2016

Santo Antônio de Pemba - Ogum, Exu, Zé Pilintra

Artesanato de Lídia Luz
Hoje é Dia de Santo Antônio (de Pádua, de Lisboa, de Pemba), que nas festividades meramente profanas, abre o período das Festas Juninas, cujo ápice é no dia 24 de junho, dia de São João. Mas Santo Antônio (e São João), não são meros personagens de festividades que, a cada dia, perdem sua essência, tornando a sua única razão de existir a comercial.
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Antônio, cujo real nome era Fernando, nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto de 1191, e faleceu em Pádua, Espanha, em 1231. Essas datas, como suas biografias e até mesmo seus pais, são propostas, isto é, não existem documentos que comprovem fidedignamente tais fatos. O que se sabe, são contos populares, tradições passadas oralmente a cada geração, que se tornaram fatos verídicos graças a crença das pessoas.

Sobre a vida pública de Antônio, isto é, a sua vida de religioso, muita coisa ficou registrada. Foi contemporâneo de São Francisco de Assis, inclusive assistiu a canonização do Santo em 1228, dois anos após a morte dele.

Foi um grande evangelizador e orador. Há uma lenda em que conta a evangelização de Santo Antônio em uma praia. Conforme o Santo fazia sua pregação, os peixes espicharam suas cabecinhas para fora da água para ouvi-lo. Se foi mesmo verdade, certamente os animais foram atraídos pelo magnetismo dele. E esse talento de frei franciscano Antônio era o responsável por arrebanhar multidões em seus sermões, tanto de pessoas simples quanto de clérigos de boa formação. Existe até mesmo uma coletânea com textos originais do Santo; trata-se de Sermões Dominicais e Festivos.

Mas nem tudo são belas histórias. Antônio, à sua época, recebeu a alcunha de Martelo dos Hereges, por ser implacável com os chamados hereges, que eram os não-cristãos, geralmente pessoas que jamais ouviram falar em Cristo e na religião fundada pelos homens. Essa antiquíssima violação de direitos todos conhecem, não é?

Antônio de Pádua foi muito além. Considerado alguém com grandes dons do Espírito Santo (ou, no nosso atual entendimento, um extraordinário Médium), os conhecimentos religiosos e acadêmicos de Antônio também estavam muito acima do comum à época, sendo um verdadeiro intelectual:

Além de um conhecimento detalhado da Bíblia, dos escritos dos Padres da Igreja e outros escritores cristãos, são encontradas citações de clássicos como Aristóteles, Cícero, Catão, Sócrates, Dioscórides, Donato, Eliano, Escribônio, Euquério de Lião, Festo Solino, Filão de Alexandria, Tibulo, Sérvio, Públio Siro, Juvenal, Plínio, o Velho, Varrão, Sêneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano e Terêncio. Seu conhecimento das ciências naturais ultrapassa em muito o currículo regular das artes liberais medievais, aprofundando-se em áreas como a medicina, a física, a história natural, a cosmografia, mineralogia, zoologia, botânica, astronomia e óptica.

Nas palavras de José Antunes, “Santo Antônio de Lisboa, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da Literatura e da História. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Sagrada Escritura. Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos Autores Clássicos. Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como Poder, Direito e Justiça”.
Certamente, um grande Espírito de escol!

UMBANDA – SINCRETISMO: OGUM x EXU

Na tradição católica, de acordo com historiadores, Santo Antônio foi assentado como praça da Infantaria portuguesa por ter intercedido no ‘milagre’ da vitória sobre as forças espanholas e francesas, chegando à patente de Tenente-Coronel. No Brasil, ‘auxiliou’ nas lutas contra o Quilombo dos Palmares (pela Capitania de Pernambuco) e a esquadra de corsários franceses de Duclerc (na Capitania do Rio de Janeiro), ficando no posto de Tenente-Coronel até a Proclamação da República, quando teve seu soldo abolido pelo Marechal Hermes da Fonseca.Sendo identificado como padroeiro de incursões militares e batalhas, o santo frade acabou sincretizado com o orixá Ogum na Bahia, por exemplo.À época da escravidão, os negros eram forçados a abjurar suas crenças por imposição da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo também obrigados a adotarem para si nomes de santos, como Antônio, Benedito, José, João, Pedro etc. Na Umbanda, Santo Antônio é visto como um padrinho destes espíritos de escravos africanos, os pretos velhos, nomeando entidades desta falange.Pode-se conjecturar uma ligação (mas não o sincretismo) de Santo Antônio com Exu porque o matrimônio sela um compromisso de continuidade dos homens (pela família). Exu é o movimento, a dinâmica da vida, promovendo a interação entre Criador e criaturas (comunicação) e a perpetuação dos seres (reprodução). O símbolo deste Orixá é o falo - órgão sexual masculino -, representando a fertilidade. Suas características controversas – provocador, brincalhão, astuto, sensual – o associaram à figura bíblica de Satanás. Por ferir a moral cristã, a Umbanda não o aculturou como divindade; cultua apenas espíritos homônimos de características análogas – os exus e pombogiras, devotando-lhes homenagens em dia 13/6. Para os yorubá, etnia da qual herdamos a cultura dos Orixás, não existe conceito de pecado, nem divindade que seja a antítese de Deus (para eles, Olodumare).
Santo Antônio de Pemba X Exu
Entre Santo Antônio de Lisboa e Santo Antônio de Pemba há muita diferença.
Como o número de escravos era superior ao dos fidalgos, erigiu-se em cada fazenda uma capela com o Santo da devoção dos Senhores ou Sinhás das fazendas, onde um Sacerdote da Igreja Católica fazia seus ofícios religiosos.
Quando os escravos adotaram Santo Antônio de Lisboa por Santo Antônio de Pemba como Exu, fizeram-no por diversos motivos. O primeiros porque tinham que acompanhar o credo católico; o segundo para ludibriar a boa fé dos senhores das fazendas, pois proibiam que os mesmos professassem o seu culto africano; e o terceiro porque faziam suas festas com fogo, como fogueiras, etc, e o dono do fogo é Exu.
O dia de Santo Antônio de Pemba é 13 de junho, razão pela qual a Umbanda comemora nesta data o dia de Exu.
Fonte: http://www.caboclajurema.com.br/exus.htm



Santo Antonio X Zé Pilintra
Falar de Santo Antonio na Umbanda, não é tarefa fácil, ainda mais de Santo Antonio de Pemba , de Lisboa, de Ouro fino, de Pádua. Mas seja lá qual for o Santo Antonio, Uma coisa é
certa, Zé Pelintra trabalha muito com ele,e é o Santo em que Zé Pelintra deposita seus pedidos. De casamenteiro à Guerreiro, Santo Antonio às vezes é confundido com Ogum. Temos consciência que Ogum é Ogum, e Santo Antonio é Santo Antonio. Antonio, que largou tudo pelo sacerdócio da caridade e luta justa pelos valores dos humanos, seja o padre, ou o padeiro, o padre que alimentava seus fiéis pela palavra de Deus ou o padeiro que matava a fome dos pobrezinhos da aldeia de Pádua. Antonio, que quando vivo já era um Santo para o povo, após sua passagem se transforma em Santo Antonio Milagreiro. Zé Pelintra, em tudo que faz, homenageia Santo Antonio, inclusive, no dia 13 de junho, benze os pães de Santo Antonio, distribuindo-os aos filhos de fé, para colocarem no açúcar, e durante um ano inteiro, o pão permanece sem estragar. Isto para que não falte a fartura . Santo Antonio de Pemba, na Umbanda, que é o Patrono de Exú, que rege as legiões desses espíritos guerreiros e mensageiros dos Anjos Superiores (orixás), que preside as batalhas navais e terrestres. Santo Antonio que protege as pessoas dos espíritos malignos e que traz o que estava perdido. Zé Pelintra do Catimbó, ora muito a Santo Antonio. Em uma das suas cantigas, pergunta-se: - Zé Pelintra, cadê Santo Antonio; Estava rezando e fazendo oração; Santo  Antonio que gira e retira que quebra as demandas de toda a nação. e assim, Zé Pelintra, invoca ao Santo, trazendo sua força, inspiração e proteção à Umbanda e aos seus filhos de fé. SALVE SANTO ANTONIO.
Fonte: http://www.zepelintra.com.br/santo_antonio.html
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13 de Junho – Dia dedicado a Santo Antonio de Pádua
Durante toda a história da humanidade, muitos homens, que mais tarde foram classificados com a alcunha de médiuns, produziram fenômenos impressionantes, às vezes independente de sua própria vontade. Fenômenos que, dependendo da condição em que se encontravam aqueles que os produziam, os levavam às fogueiras ou às forcas. Há de se concordar que todos tinham uma missão muito proveitosa à humanidade, mas foram incompreendidos na maior parte das vezes. Dentre os vários médiuns que já vieram à Terra para continuar a obra do Mestre Jesus, ao menos um merece ser destacado pela quantidade de dons mediúnicos que demonstrou possuir.

É o homem que em Portugal se chama Santo Antônio de Lisboa, e, na Itália, é chamado de Santo Antônio de Pádua.

No imenso panteão de santos que a Igreja Católica possui, existem catalogados 39 santos cujo nome é Antônio. Embora nem todos tenham datas conhecidas para veneração ou recebam tamanho culto pelos fiéis da igreja romana, vale ressaltar que um desses sobre-existiu. É o Santo Antônio de Pádua, cuja data de culto é o dia 13 de junho, dia em que faleceu no Plano Material.

Santo Antônio, cujo nome verdadeiro era Fernando Martim de Bulhões, nasceu em Lisboa, no dia 15 de agosto de 1195. Seus pais, Martim de Bulhões e Teresa Taveira, eram descendentes de famílias que chegaram a Portugal no tempo em que Dom Afonso Henriques, fundador da monarquia lusa, tomou dos sarracenos a futura capital do reinado português.

Nessa época, Lisboa era uma cidade pequena, de gente misturada - mestiça - com traços visíveis de suas origens árabes e romanos dos povos e cultos pagãos anteriores ao Cristianismo.

A palavra "pagão" aqui nesse texto refere-se às famílias que habitavam nos campos, ou camponeses, os quais tinham esse codinome. Nada se comparando com a conotação que mais tarde foi delegada pelos padres e catequizadores para designar todos aqueles que não adoravam o Deus católico ou o Papa.

Foi na Sé de Lisboa que Fernando de Bulhões recebeu os primeiros conhecimentos. Ficou ali até aos quinze anos de idade, frequentando as aulas de gramática, latim e música, na qualidade de moço do coro.

Em 1211 decidiu entrar para o convento dos frades agostinianos, em São Vicente de Fora, onde pouco permaneceu. Seu feitio moral não combinava com as perturbações que o importunavam e que o impediam de estudar e concentrar-se, o que o motivou a transferir-se para o retiro de Coimbra, em 1212.

Se as regras e obrigações dos frades agostinianos fossem rigorosamente obedecidas pelos membros da congregação, talvez Antônio tivesse permanecido no mosteiro de Santa Cruz, em São Vicente. Porém, o dia-a-dia dos monges era algo que estava longe de ser compreendido como modelo de vivência monástica. A riqueza do mosteiro, as questões que envolviam dízimos e imunidades fiscais, traziam vergonha e furor ao frade, já que o seu pensamento era idêntico ao de Francisco de Assis.

Em Coimbra, estudou filosofia e teologia, adquirindo a erudição mediúnica que mais tarde constituiu-se o traço fundamental de sua inconfundível figura.

A situação religiosa da Europa, na época em que viveu Antônio de Pádua, estava caótica. A Igreja Romana perseguia e matava milhares de pessoas em nome do amor de Jesus, do perdão e da paz. Com a desculpa de catequizar os "hereges" da Igreja Grega e os "pagãos" seguidores de Maomé, a Igreja Católica Romana incitava o clero e demais fiéis a saírem em diversas empreitadas a fim de saquear os seus opositores, através do que ficou conhecido como "as Cruzadas". O poder da Igreja deixou de ser eterno e espiritual para se transformar em um poder político e temporal. O Papa, cheio de riqueza e poder, era o centro de todas as intrigas políticas da época. Contudo, ninguém sequer abria a boca em sinal de protesto, tamanho era o medo causado pelas fogueiras, pela excomunhão e pelas masmorras.

Nessa época, ganhava fama a ordem inaugurada por Francisco de Assis. Diversos homens encontraram nas palavras de Francisco a força e a coragem necessárias para propagarem a fé verdadeira no Cristo Jesus. Porém, o fanatismo dos novos franciscanos foi motivo de muitas atrocidades e resultados insatisfatórios junto aos povos. Certa vez, um grupo de cinco frades franciscanos foram massacrados em Marrocos, devido à sua impetuosidade em evangelizar os maometanos. Seu radicalismo era tão excedente que eles se referiam a Maomé como "maldito, profano, sujo e maligno profeta". O fanatismo e a intolerância dos frades eram tão grandes que foram então fendidos à espada e degolados.

Esse massacre dos frades franciscanos entusiasmou o jovem Fernando de Bulhões, que resolveu seguir o exemplo de abnegação dos frades e entrou para o convento franciscano fundado pela rainha D. Urraca, mulher de Afonso II, em Olivais, Coimbra. Assim, aos 25 anos de idade, em 1220, abandona o nome de batismo e adota o nome de Antônio, padroeiro do convento de Olivais.

Logo assim que tomou ordens no convento de Olivais, quis Antônio seguir para a África, a fim de sofrer os martírios em nome da fé. Porém, tão logo chegou no continente, adoeceu gravemente e foi reembarcado para a Espanha, mas o navio em que estava Antônio saiu de sua rota e foi aportar na Itália, na costa de Taormina, Sicília. Dirigiu-se para Messina e lá convalesceu durante dois meses.

Antônio permanecia ignorado enquanto convalescia até que certa vez surgiu a oportunidade de iniciar as demonstrações de seus dons mediúnicos. Dons estes que encheram de luz e maravilhas, ditos como milagres, as terras da Itália e da França.
Em Porciúncula, reuniram-se cerca de 3.000 frades franciscanos numa assembleia em que Francisco de Assis, fundador da Ordem, foi o presidente. Antônio lá compareceu, mesmo sem ter sido convocado, e porque era figura inteiramente desconhecida, não foi sequer notado. Juntando-se ao fato de ser tão franzino e ainda estar em convalescença, Antônio era modesto e humilde, e escondia cuidadosamente suas qualidades mediúnicas.

Porém, noutra ocasião, numa assembleia ocorrida em Forli, na Itália, entre franciscanos e dominicanos, foi que surgiu a oportunidade para Antônio. No refeitório, o prelado pediu aos frades que dissessem algumas palavras evangelizadoras. Após várias recusas dos frades, em tom de zombaria, forçaram o insignificante Antônio a fazer a pregação evangelizadora. Ele escusou-se, mas disseram: "Diz o que o Espírito Santo sugerir".

Antônio começou a falar e iniciou pelo temor a Deus e, aos poucos, foi se infiltrando nos pontos delicados da doutrina e da prática do cristianismo, demonstrando um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras. Assustados, informaram o caso a Francisco de Assis e, dentro de pouco tempo, foi transformado em pregador eminente. Junto às pregações, Antônio produzia os mais assombrosos fenômenos mediúnicos que revolucionaram a todos.

No processo de canonização de Santo Antônio de Pádua, foram relatados nada menos de 53 fatos, chamados milagres, realizados pelo frade.

Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, foi um grande médium e possuidor de diversos dons espirituais inerentes à sua condição mediúnica: foi audiente, profético, inspirado, médium de transporte, de efeitos físicos, de materialização, transfiguração, curador e transmissor de fluidos (passista).

Após ter vivido só sete anos como frade franciscano, pois desencarnou aos 36 anos de idade, encheu as crônicas de Portugal, França e Itália com as manifestações de sua mediunidade excepcional, como pouquíssimos médiuns que têm baixado à Terra trazendo tamanha força e riqueza mediúnicas.

Sentindo-se enfermo, esgotado, retirou-se para o campo em Arcela, e aí, em pouco tempo piorou e morreu, no dia 13 de junho de 1231.

Isto foi ocultado pelos frades, mas à hora da morte, nas ruas de Pádua, as crianças foram avisadas por intuição e começaram a gritar: "Morreu o frade santo!", "Morreu o Santo Antônio!".

Depois de voltar ao Espaço, Antônio de Pádua operou vários prodígios espirituais. Apresentava-se positivamente onde quer que fosse solicitado pelo crente mais devoto e então agia conforme a fé e o merecimento do solicitante.

Foi canonizado pela Igreja em 1232, onze meses após sua morte, pelo Papa Gregório IX. Já o Papa Leão XIII chamou Santo Antônio de "Santo de todo mundo".

Um comentário:

José Elias disse...

Patricia, gostei muito do artigo sobre Santo Antonio publicado em 13/ 06 /2016.

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