15 de mai de 2016

Ser Minimalista é Necessário

Fotografia premiada de Kevin Ummel
Meu aniversário foi em 1º de abril passado (é verdade! e eu odeio essa piada!), e no dia da primeira reunião do Grupo de Leitura que participo (no final de abril, só não lembro a data), a organizadora do grupo me presenteou com o livro de Marie Kondo, A Mágica da Arrumação. Aliás, foi um presente improvisado, pois esse livro estava junto a vários outros que seriam selecionados para ser o livro da leitura do próximo mês e, como não foi o escolhido, pedi emprestado, mas acabei recebendo como presente de níver :D

Li esse meu presente em dois dias (tenho apenas uma ou duas horas de leituras diárias) e confesso que foi o livro mais especial que li nos últimos anos! Não que eu tenha lido livros chatos e descartáveis (pelo menos não todos!), mas o "A Mágica da Arrumação" vai além de um livro de autoajuda para organização da casa: é um verdadeiro tratado de transformação existencial a partir do relacionamento pessoa X coisas.

Esta postagem, entretanto, não se trata de uma resenha. Quando ressurgir a vibe das resenhas, escreverei sobre ele. Por ora, apenas quero mostrar e misturar o livro com os assuntos do momento: minimalismo, armário cápsula, menos é mais, anticonsumismo etc.

Minimalismo é o assunto do momento, embora esse movimento tenha surgido no século passado nas Artes, Cultura e Ciência, chegando à vida pessoal e aos armários na década de 1970 com a estilista Susie Faux, que cunhou o termo "armário-cápsula". Porém, como explica a blogueira Camile Carvalho, do Vida Minimalista, "estilo de vida minimalista não é o mesmo que estética minimalista", isso significa que não se deve sacrificar os gostos pessoais para seguir a ditadura da moda do momento. Se gosta de coloridos, use cores. Se acha muito monótono uma parede nua, enfeite-a com quadros. Tipo isso. O minimalismo que as blogueiras como a Camile e a Fe Neute, do blog Feliz com a Vida, propõe é que se deve manter a vida mais simplificada ao manter as coisas que lhe são funcionais e que lhe tragam satisfação... aliás, é exatamente essa a proposta da especialista Marie Kondo em seu método KonMari de arrumação.

O estilo de vida minimalista - ou, ao menos, mais minimalista - vem como uma respiração salvadora para aqueles que estão se afogando no consumismo e na aquisição de coisas. O minimalismo, paradoxalmente, é um conceito muito amplo, tanto que podemos passar horas aqui levantando e debatendo sobre o lado filosófico e psicológico da coisa. Tem a ver com a nossa relação com coisas, objetos, mas que também tem a ver com nossa relação com o mundo, com as pessoas, com nossos sentimentos. 

O consumismo é um desequilíbrio psicológico, digo isso por mim mesma: quando estou infeliz e me sentindo péssima comigo mesma, é quando mais cometo gastanças, na esperança de que aquilo que estou adquirindo me fará uma pessoa melhor, ao menos aparentemente. Então, tenho por minha insignificante opinião, que pessoas felizes e de bem consigo mesmas não consomem além do que é necessário, se assim elas tiverem essa possibilidade, é claro. Quantas histórias já não vimos por aí de lares pobres repletos de alegrias e mansões na miséria de sentimentos mesquinhos? Também não vamos valorizar a pobreza pois que isso é um desequilíbrio, é antinatural e está fora da Lei de Deus, pois que tudo na Natureza é próspero e abundante.

Por isso, "ser minimalista é necessário". Sinto essa necessidade, e isso não é de agora! Então há em mim o conflito entre o que preciso e o que eu faço. Eu sou consumista, e só não o sou mais por falta de recursos mesmo. Essa doença mental, espiritual, sei lá, ainda não chegou às vias de fato, pois não vou além do que posso suportar, mesmo que me deixe exaurida na execução (tipo todo o salário do mês para pagar cartão de crédito!), mas já chegou ao ponto de eu dilapidar minha pequena poupança que venho juntando ao longo do tempo para o meu lar que nunca aparece.

Na mesma proporção de gastança, tenho a facilidade do desapego. Vendo ou doo sem muita cerimônia, desde que a coisa tenha um lugar mais digno que a lixeira. Nesse caso, tenho problemas no desapego, pois para mim é muito difícil colocar no lixo algo ainda muito bem aproveitável, mas que não interessa a ninguém - por exemplo, minha vasta coleção de mangás antigos!

Juntando essa dificuldade de mandar as coisas para o lixo com o consumismo que me arrasa, me vejo à volta de tranqueiras que não consigo me livrar, e parece ir me sufocando aos poucos. Entretanto, meus melhores momentos de desapego é quando alguém próximo morre... quando minha mãe morreu em 2007, joguei fora quase todas as minhas lembranças de infância: cadernos de escola, brinquedos quebrados, cartinhas. Agora com a morte do meu tio, no final do ano passado, a casa passou por novo faxinão, e embora eu tenha jogado muita coisa da casa fora e vendido quase todo o enxoval que venho juntando para o lar que nunca chega, é como se não tivesse saído uma só agulha! E, especialmente, dos meus armários!

Já perdi há muito tempo a conta de quantas sacolas de roupas e livros doei e vendi, mas ainda lá estão eles, como se jamais tivessem saído da casa e dos armários. É meio difícil minimalizar sua vida quando você tira fora uma peça e coloca 5 outras no lugar, apenas por compensação emocional!

Explicado esse meu desatino, agora acho que dá para entender o porquê o maravilhoso livro de Marie Kondo é tão especial! Li apenas uma vez e, confesso, não me ajudou em muita coisa prática, embora tenha despertado toda a vontade de seguir o que ela propõe. Apenas acho que ela é radical ao ponto de sugerir até se livrar de fotografias antigas, mas é a proposta dela. Se conseguirmos fazer, pelo menos, metade da metade do que ela nos ensina, será uma grande vitória.

KonMari, método de arrumação

A proposta de Marie Kondo é, no fundo, muito simples: livrar-se de TUDO aquilo que não lhe traz alegria. Simples, mas não fácil; nosso apego ao material é algo quase doentio (em alguns é doentio mesmo). Adquirimos muitas coisas sem que sejam realmente necessárias, ou que até foram legais e úteis, mas que já cumpriram o seu destino. Livrar-se de tudo aquilo que não tem mais utilidade ou significação na vida deveria ser a ação mais fácil do mundo, mas como temos a péssima tendência a colocar valor emocional nas coisas, acabamos por nos prendermos a elas, sem que haja a verdadeira necessidade de manter aquilo em casa e na vida.

Antigamente, quando eu apenas doava as coisas que não queria mais, era mais fácil de me desapegar do que agora, que penso poder conseguir algum retorno do investimento. Tenho livros ainda embalados há anos, esperando por serem lidos; tenho roupas, sapatos e acessórios que aguardam uma ocasião especial para serem usados, o que é muito difícil tendo por eles uma dona sem qualquer tipo de vida social, além do típico "casa-trabalho-igreja". Daí, quando penso apenas em doar, lembro do quanto paguei por aquilo e que deveria ter ido para a poupança e não para o caixa de uma loja. Quando tento vender, muita coisa não cabe no corpo e no gosto das pessoas para quem ofereço, e sempre colocando um valor muito abaixo daquilo que paguei, esperando que saia de qualquer jeito.

Então, o que é simples e deveria ser muito fácil (gosto = fica; não gosto = vai-se embora), torna-se um novo conflito interno de interesses, entre admitir o erro e aceitar a derrota, ou perdoar-se e deixar ir, ficando mais leve com essa atitude. E veja como isso se encaixa direitinho em todos os nossos assuntos, inclusive em sentimentos inferiores como mágoas e rancores!

Outra coisa muito importante que o método ensina, que é a pedra fundamental do KonMari, é que para uma arrumação realmente eficiente é necessário livrar-se dos excessos e não adquirir mais itens que prometem organizar sua vida e sua casa. Compramos prateleiras para colocarmos coisas que nem sequer usadomos, ou belas caixas para enfiar tudo que não tem uso constante (ou nunca!), só para tirar das vistas. Bem ilógico isso de nossa parte, né? Há muito tempo atrás, havia comentado com uma amiga da nossa necessidade de querer uma casa grande para entulhar coisas, de pagarmos por um espaço que acolherá as coisas e não a nós mesmos. Afinal, quanto de espaço precisamos para vivermos confortáveis dentro de casa? E quanto tempo passamos dentro de casa para isso? No fim, apenas precisamos de um imóvel grande para acomodar as coisas e não a nós mesmos!

Neste link aqui, você terá um resumo sobre 12 itens encontráveis no A Mágica da Arrumação, mas que de forma alguma dispensa a leitura do livro! Se você, assim como eu, sente-se sufocado pelas coisas e sente a necessidade de uma vida bem mais clean, o livro de Marie Kondo poderá ser a melhor literatura da sua vida.

Aqui tem um resumo elucidativo sobre o movimento do "armário-cápsula". E nestes dois links, aqui e aqui, sobre o conceito de estilo de vida minimalista.

E desapegar de coisas que não são mais funcionais é também perder a vontade de adquirir outras. E de coisas, passamos para os sentimentos, lembranças e até relacionamentos que perderam a sua função e apenas nos soterram em uma manutenção inútil. Não trata-se, porém, de tornar tudo descartável, muito pelo contrário: trata-se do treinamento para saber valorizar ao máximo tudo aquilo que está conosco e chega até nós.

Sabemos que tudo o que é demais faz mal, não é? Então, ser minimalista é necessário. 




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