5 de mai de 2016

Testando Material de Desenho, parte 10

 
Faz tempo, eu sei... por isso fiz essa ilustração ontem, rapidinho (rapidinho entenda-se por algo entre uma e duas horas para ficar pronto), fiz para trazer hoje e continuar a nossa série "Testando Material de Desenho e Pintura".

No teste de hoje temos dois materiais: papel reciclado cor marfim 90g e lápis de cor aquarelável Mondeluz, da Koh-I-Noor.

E, não... não estou sendo paga pela Koh-I-Noor para testar os seus materiais (infelizmente T_T ). É que, além da Faber Castell e marcas mais populares de linha escolar, só tenho encontrado os lápis da Koh-I-Noor para vender nas lojas físicas, e me parecem ser mais em conta, comparando com outras marcas de material profissional. A caixa de lápis do teste de hoje foi quase que um "achado", por conta do preço. Daí, mesmo sendo uma facada, tive que levar para não me arrepender depois e ficar suspirando por aí.



Nas fotos acima estão os dois materiais utilizados no teste: o lápis de cor linha aquarelável profissional Mondeluz, da Koh-I-Noor, 24 cores; e o bloquinho de recados com papel reciclado cor marfim, de 90g (a marca não é importante). Esse bloquinho é do mesmo tipo do teste 7, e encontrei em outra filial da mesma loja em que havia adquirido o outro (papel reciclado cor natural), na Casa Cruz da Saens Pena, RJ.


Nesta foto está o pequeno teste que costumo fazer com os lápis, tanto para sentir a textura deles no papel quanto para ver a cor. Por ser um lápis aquarelável, esperava mais maciez do Mondeluz, e nessa etapa não senti diferença com o Polycolor (também da Koh-I-Noor, só que de mina permanente), exceto que ele se esfarela bastante (eu devo estar ficando exigente, pois se a mina esfarela é porque o lápis é mesmo muito macio :P ). Fiz o teste do degradê e fiz teste de mesclagem entre as cores. A pigmentação é excelente, as cores são intensas e a mesclagem entre elas é muito satisfatória. Como pode ver no rabisco que fiz com duas cores primárias, a azul e a amarela, formou-se naturalmente a cor verde entre elas. Também testei o lápis branco sobre as cores. Ele não é intenso o suficiente para colorir um papel de cor, mas serve para suavizar a textura do traçado, além de dar um aspecto acetinado.



Ao teste!

Na primeira foto temos o papel em branco, para que possa ver a cor e a textura natural dele. É de um simples bloquinho para recados, vem com 80 folhas tamanho pequeno, 9cm X 14cm, e que custou menos de R$ 5. Como já havia comentado no teste 7, você pode ter desses pequenos achados em outras seções das lojas que não seja específica para desenho e pintura. No caso, esse bloquinho encontrei na seção de materiais para escritório. É papel reciclado, mas este recebeu um tratamento de coloração que lhe deu um suave tom marfim, e manteve as "sujeirinhas" típicas da reciclagem.

Na segunda foto, está o esboço do desenho feito sobre uma fotografia, e a mandala feita de uma impressão que já tinha em casa. Essa "técnica" (leia-se trapaça u.u*) de desenho é excelente para quem ACHA que não sabe desenhar, e foi assim que eu "aprendi" a desenhar quando tinha lá meus aninhos que não chegavam a dois dígitos... você pega um papel fino, tipo vegetal, contorna a figura escolhida com lápis (os de maior gramatura - 2B, 4B etc - formará um "carbono" melhor) e depois no papel em que fará a pintura, você decalca o desenho, colocando a parte do traçado de cara com o seu papel e contornando novamente a figura, desta vez por trás do desenho. Nesse caso, a figura ficará invertida, mas se quiser manter na mesma direção, você terá que pintar toda a parte de trás do papel que fez o contorno com o grafite, pelo menos sobre os traços, colocá-lo sobre o seu papel de pintura e então contornar mais uma vez a figura. Deu pra entender ou eu compliquei na explicação??? Então, fiz o mesmo com o esboço da mandala. Fiz essa trapaça porque não estava com vontade e nem tempo para tentativas e erros ao copiar a imagem da foto que serviu de inspiração. A enorme vantagem dessa "técnica" é que você não errará as proporções.

Na terceira foto já começa a segunda parte do nosso teste: a coloração com o Mondeluz. Pintei ali toda a figura (pele, cabelos e roupas). Apesar de ser uma figura muito pequena (o que não é o ideal para um teste, sorry!), achei que o lápis se comportou muito bem. A pigmentação excelente cobriu muito fácil as áreas e permitiu tranquilamente a mesclagem entre algumas cores. Utilizei quatro ou cinco cores para pele, três para os cabelos e apenas uma, o cinza, para as roupas. Por essa caixa que adquiri conter apenas 24 cores, senti falta de mais tons para incrementar a pintura, mas a pigmentação ótima do lápis permite que se faça vários tons de uma só cor. As partes que permaneceram em branco são o vazado na pintura e a cor é a do papel. Quanto ao branco mesmo, esse eu tive que usar o lápis pastel Gioconda branco, que usei no teste 7, pois o lápis branco da Mondeluz não consegue dar a pigmentação necessária para se sobressair, ficando tão claro que fica quase imperceptível.

Na quarta foto, e já sem muita paciência (já tava na hora de mimir u.u ), rabisquei o fundo para dar a ideia de vegetação, que na foto aparece desfocada. Utilizei três cores para esse fundo. Para o assoalho de madeira, foram usadas duas cores, aproveitando a cor natural do papel.

 
Nesta foto, a pintura está finalizada e ainda fiz uma graça com o app PhotoGrid. Para que a mandala se sobressaísse ao fundo, pintei toda ela com o lápis branco, que acetinou as cores de baixo, dando a impressão de ser uma pintura sobre a da vegetação - mas é a mesma. 

Não utilizei o Mondeluz como aquerela, apenas como lápis de cor mesmo. O papel é muito fino para suportar pintura úmida, então esse teste fica para outra oportunidade.

A foto que utilizei foi essa aí ao lado, do anúncio de uma feira esotérica que ocorrerá aqui no Rio nos dias 14 e 15 deste mês, a Mystic Fair. Como a imagem que eu tinha era de um jornal, não estava tão nítida assim, nessa aqui até dá para ver bem a vegetação do fundo. Apenas postei a foto para que você possa ver que, apesar de ter sido copiada, o seu trabalho será bem diferente, se quiser, pois não precisa ser realmente e de fato uma cópia descarada. A criação é sua.

Achismo Final:

O papel é lisinho, então fica bonzão pintar nele. Papel liso, que foi prensado a quente, é perfeito para fazer detalhes e conseguir uma pintura mais uniforme. A tonalidade desse papel reciclado pode ser acrescentado como parte da pintura ou ser trabalhado para um efeito envelhecido, por isso é legal não cobrir toda a superfície do papel, mas deixar partes em branco para que ele interaja com a sua pintura.

O lápis de cor aquarelável Mondeluz tem a mina macia, não possui nenhum granulado e desliza fácil pelo papel. Tem ótima pigmentação que garante uma coloração uniforme, compacta e intensa. As cores são miscíveis entre elas, inclusive permitindo uma terceira cor na mistura de outras duas. Apenas o branco parece não servir como cor de pintura, sendo melhor utilizado para suavizar e acetinar as cores, algumas vezes até mesmo espalhando parte da cor e ajudando a mesclar com outras, atenuando as arestas.

Como não testei com a água, não sei ainda como esse Mondeluz se comporta enquanto aquarela, mas acredito que deva ficar bem diluído por conta da suavidade de sua mina, que solta bastante pozinho durante a pintura, podendo até utilizar um esfuminho, pano, cotonete ou o próprio dedo nu para deixar a pintura mais suavizada e simular um pastel.

O lápis Mondeluz é vendido tanto por unidade quanto em estojos fechados, tendo uma palheta de até 72 cores, que também pode ser encontrado apenas em formato mina para lapiseira. O preço é de material profissional, isto é, não é barato, mas também não é assim tão caro que inviabilize sua aquisição. Essa caixa com 24 cores eu paguei um pouco menos de R$ 110 na loja, e só a comprei porque o lápis avulso estava por quase R$ 7 a unidade, portando acho que havia ali alguma promoção e minha compulsão consumista não me permitiria perder a oportunidade XD Então fica a dica: sempre veja o valor do lápis avulso X o estojo, pois algumas vezes comprar o lápis avulso sai mais em conta do que comprar em estojo, e vice-versa. Se a diferença for pouca, eu acho mais válido comprar o estojo, senão vai de avulso mesmo.

O que realmente achei ruim nesse estojo da Mondeluz foi a caixinha pobreeenha que vem com ele! É um produto caro disposto numa caixinha de papelão bem vagabunda, não tendo sequer uma divisória interna para separar as duas carreiras de 12 lápis cada! Poxa, custava tanto assim disponibilizar o material em um estojinho de metal, ou mesmo de papelão, mas com uma qualidade melhor?! São nessas pequenas coisas aparentemente insignificantes que a empresa mostra se importar com seus clientes, disfarçando um pouco que o importante mesmo é vender para ganhar dinheiro.

Vamos nessa o/

Um comentário:

Thiago matos de sousa rocha disse...

Olá patrícia Boa noite. A kohh I noor apresenta também caixas de metal porém o preço é bem mais caro. Eu também desenho e quero um lápis profissional que venha em um estojo colm boa qualidade pra manter bem os lápis. obrigado pela resenha!

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