10 de set de 2012

Prefácio - Contos Sem Classe, por Jossi Borges

Aproveitando a ideia dos "arquivos-resenhas", estarei postando também os prefácios de alguns dos meus livros, que acabam servindo também como resenha (embora sejam lisonjeiros demais para uma resenha, rs).

Então, o prefácio de hoje é da coletânea "Contos sem classe, Textos sem curso", o primeiro livro que preparei e publiquei pelo Clube de Autores.

E quem me deu a honra de revisar a obra, ajudar a montar o livro e ainda prefaciar, foi a super talentosa escritora e folclorista Jossi Borges, minha manamiga do Paraná ;)

    Dentro de uma seleção de contos tão variada, podemos sentir, de forma soberba, o estilo colorido e luminoso de Pat Kovacs.

    Em todos os seus trabalhos flutua de maneira quase palpável uma névoa delicada de lirismo, poesia e sentimentos, que se entrelaçam e dão relevo a cada linha e palavra, transformando seus contos, narrativas e mini-contos em viagens oníricas onde nossos corações são dominados e sujeitados à beleza das emoções. E são diversas essas emoções, são diversos os sentimentos, mas predominando sempre a emoção suscitada pelo inusitado e pelo original. Alegria, curiosidade, romantismo, lirismo, suspense, ternura, adrenalina. Não é fácil analisar a obra de Pat; não se pode resumir o que cada conto nos transmite, exceto se usarmos a palavra “emoção” como sinônimo de fantasia-magia-amor, como se essas três palavras fossem uma única.

    Nesse belo trabalho, que reúne diversos temas nos quais ela tem trabalhado nos últimos meses – e que eu posso me gabar de conhecer, já que tenho o privilégio de ter lido muitos deles – temos exemplos perfeitos do que foi dito acima. Amor, lirismo e sensibilidade afloram no conto Amores Platônicos, onde ela descreve o amor não consumado como uma espécie de lição para os jovens e adultos que se deixam atrelar às convenções sociais estéreis. Gaiola Dourada, Morte Antiquada e Fogueira de São João e Seu Antônio tem o mesmo toque lírico, em que o amor, em qualquer de suas formas, é enaltecido, seja o amor pela vida, liberdade e natureza (Gaiola Dourada), o amor pelo trabalho e pelos objetos de valor afetivo (Morte Antiquada) e o amor pela família (Fogueira de São João e Seu Antônio).

    O terror, gênero tão difundido e bem aceito, tem seu representante nesta coletânea, com os contos Demônios nas Sombras, Espuma Branca em Céu Azul e Vovô Coveiro. No primeiro, o suspense que cativa o leitor, um estremecimento de medo a cada linha, onde o impensável pode acontecer, e de fato, acontece.

    Espuma Branca em Céu Azul tem o tom poético entremeado de sugestivas impressões que levam o leitor, lentamente, ao desenlace súbito e assustador, mas de certa forma, muito realista. Vovô Coveiro é um mini-conto onde o terror nada tem de sobrenatural, mostrando uma dura realidade de nosso dia a dia.

    A ficção científica de Pat em seu representante no excelente conto Do Pó ao Pó. Uma maneira original de mostrar a FC brasileira, Snake inspirou-se nos mangás e na literatura japonesa de ficção, criando mundos pós ou pré-apocalípticos, onde a ciência e a magia se mesclam.

    Em sua tríade Metamorfoses, a magia sobrenatural está presente, bem como o Amor, novamente representado em três formas distintas e igualmente belas: Casulo & Mortalha, o amor à natureza e o esplendor da vida que renasce nas asas da borboleta e do anjo; Momento Efêmero, o amor adolescente pela magia do mundo das fadas e entes sobrenaturais; e finalmente, em Crianças de Deus, o amor aos animais, representados pelos pombos, tão injustamente maltratados pelo seres humanos.

    Foi um grande prazer ler essa coletânea de Pat Kovacs, e um privilégio ser a sua prefaciadora.

    E, tenho certeza, ninguém ficará indiferente a tantas manifestações distintas das emoções mais profundas do coração humano, presentes nos belos contos aqui escritos.
Jossi Borges
Escritora e editora dos blogs:
Romanzine
Romances Fantásticos, Góticos e Sobrenaturais
Amor & Livros

2 comentários:

Amor e Livros disse...

Pat,
Você é uma escritora, nasceu para isso: E tal afirmação é apenas uma constatação da realidade. Você tem aquela qualidade que é inerente a todos que nascem para expressar ideias através da arte, não apenas em formas (no seu desenho) mas também nas letras. Adorei ler os contos, como agora estou adorando ler (reler, na verdade) 'Hybrida' e 'Tempo Paralelo'.
Bjos!
:)

Pat Kovacs disse...

Eu te amo, Jo!

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