28 de set de 2012

Resenha - K'ien, por Jossi Borges

A noveleta K'ien ganhou a sua primeira resenha pelas mãos-de-fada de Jossi Borges, escritora, blogueira e web-designer.
Confira o que a parceira tem a dizer sobre o conto... talvez você até se anime a lê-lo online ou baixar a versão pdf para ler em qualquer lugar, a qualquer hora :)


Abaixo, uma compilação explicativa sobre os Trigramas do I-Ching, a arte divinatória e filosófica que influenciou e muito na construção de K'ien ^^

TRIGRAMA
O simbolismo chinês dos trigramas, cujo princípio teria sido revelado a Fu-hi (século XXIV antes de Cristo) por um dragão saído de um rio, baseia-se na combinação de duas determinações — o traço contínuo corres­ponde ao yang, o descontínuo ao yin. Todas as modalidades do desenvolvimento da ma­nifestação, a partir da polarização da Uni­dade primeira, exprimem-se portanto, em quatro diagramas, em seguida, ern oito tri­gramas que resumem todas as possibilida­des de combinações ternárias, portanto, perfeitas, do yin e do yang: o yin e o yang concertam-se e harmonizam-se, diz Tchu-ang-tse. No ternário, os três traços super­postos correspondem à situação respectiva do Céu, do Homem e da Terra; daí vêm as práticas adivinhatórias derivadas do I-Ching. Combinados de dois em dois, em forma de hexagrama*, os oito trigramas (pakua) constituem 64 hexagramas super­postos, celestes e terrestres, respectivamen­te.
Os trigramas são dispostos em círculo em torno do yin-yang*, cuja manifestação eles exprimem sob todos os seus aspectos. O I-Ching é o livro da mutação circular dos trigramas. A forma primitiva do caracter yi seria a do camaleão. Assim, os trigramas vêm corresponder aos oito ventos (as oito direções do espaço), aos oito (ou melhor, nove) elementos, pois a terra está no centro. Correspondem às oito colunas do Ming-t'ang, aos oito raios da hora e, por analo­gia, aos oito caminhos da Via búdica. Existem duas disposições tradicionais di­tas de Fu-hi, ou do Céu anterior (Sien-fien) e de Wen-wang, ou do Céu posterior (Heu-t'ien). Não parece haver nenhuma hierar­quia de valor entre essas duas disposições igualmente utilizadas, mas a primeira é re­lacionada a Hot'u, e a outra, a Lo-chu de Yu-o-Grande: é a passagem da cruz simples à suástica, da estabilidade inicial ao movi­mento. É preciso não esquecer que as inter­pretações adivinhatórias — secundárias e, até certo ponto, decadentes, mas às quais o caracter kua parece referir-se — são atri­buídas a Wen-wang. O I-Ching, diz Tscheu T'ucn-yi, contém os arcanos do Céu e da Terra, das manes e dos espíritos; o que implica a possibilidade de descobrir não somente os segredos do destino através de varinhas de aquiléia, mas também, e so­bretudo, os da manifestação inicial. É pre­ciso acrescentar que, por corresponderem a correntes de energia cósmica, os trigra­mas — em todos os tempos, e mesmo hoje em dia — são utilizados como proteção mágica: é possível encontrá-los sobre as portas das casas chinesas e vietnamitas.
O sistema de correspondência dos oito trigramas é, em resumo, o seguinte:
—  K'ien, a perfeição ativa — três traços yang (=), corresponde ao Céu, ao sul ao verão, à energia produtora, ao macho, ao Sol;
— K'uen, a perfeição passiva — três traços yin ( =  ), corresponde à Terra, ao norte, ao inverno,  à receptividade, à fêmea,  à Lua;
—  Tch'en, o abalo, corresponde ao trovão, ao nordeste, à chegada da primavera;
—  Siuan, a doçura, corresponde ao vento, ao sudoeste, ao fim do verão;
—  K'an, o abismo, corresponde à água, ao oeste, ao outono;
—  Li, corresponde ao fogo, ao leste e à primavera;
—  Ken, a pausa, correspondente, à monta­nha, ao noroeste, ao início do inverno;
—  T'uei, o vapor, correspondente ao pân­tano, ao sudeste, ao início do verão; tudo isso na disposição de Na de Wen-Wang, li e k'an, o fogo e a água, são sul e norte, Sol e Lua, verão e inverno, vermelho e preto; tch'en e t'uei, abalo e água parada, são leste e oeste, primavera e outono, ma­deira e metal, verde e branco. As duas disposições obedecem a sistemas distintos, po­rém não contraditórios.
No simbolismo alquímico, li e k'an representam ainda a colocação em ação dos prin­cípios k'ien e k'uen, celeste e terrestre. Eles são os dois elementos complementarei da Grande Obra: li e k'an são o chumbo e o mercúrio, o sopro e a essência (k'i e tsing). A morada de k'uen ou de k'an é a região sagrada de onde se eleva o tsing, o sêmen; a morada de k'ien é o ajna-chakra, situado entre os olhos, do onde desce o k'i luminoso. A união do ki o do tsing no crisol interior, portanto a de li e de k'an, e por conseguinte, de k'ien e do k'uen, reconstitui a unidade primordial, anterior à diferenciação do Céu e da Terra: assim se adquire a imortalidade. Segundo o I-Ching, is uniões constitutivas de hexagramas representam o final, ou a penetração fecundante da Terra pelo Céu, geradora da paz, seres e do Embrião da imortalidade.
Texto extraído de http://profeciasnet.com.br/

4 comentários:

Celly Monteiro disse...

Caramba, que capa linda, foi vc quem fez?

Pat Kovacs disse...

Oi, Celly!
Quem me dera!
A ilustração encontrei na net e me pareceu se encaixar bem na proposta do conto. As letras foram a Jossi que colocou ;)

Jossi Borges disse...

O conto é lindo, quem deixar de ler não sabe o que está perdendo! É uma viagem para outros mundos, entre deuses e criaturas da mitologia Oriental. Muito bom!
º/

Pat Kovacs disse...

Eu te amo, Jossi!

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