27 de jan de 2012

Lugares - Barra de São João

Prainha - Barra de São João, Casimiro de Abreu - RJ. Foto de Anderson, retirada do site Olhares.com.

Há algumas localidades no enorme Rio de Janeiro - embora no mapa ele pareça pequenininho - que recebem de batismo os nomes de santos, como São Pedro da Aldeia, São João da Barra e Barra de São João (note que as duas últimas têm o mesmo nome, mas com o sobrenome trocado de posição, rs, mas não são o mesmo lugar e tampouco ficam próximas uma da outra).

Nesta postagem, quero falar de uma dessas localidades: BARRA DE SÃO JOÃO, berço do poeta Casimiro de Abreu, uma cidadezinha que fica entre serra-rio-mar, abençoada por São João Batista de todos os lados: pelo Morro de São João (uma enorme montanha que foi em idos tempos um vulcão que originou toda aquela região e hoje ainda é possível encontrar uma fina canada de lava (piche) a menos de um metro abaixo do solo); pelo Rio São João, um rio caldaloso que desce lá do morro e deságua na praia, logo ali próximo do Museu Casa Casimiro de Abreu, que foi a casa aonde o poeta nasceu.

Na foto acima, vê-se a praia formada pelo encontro das águas do rio com o mar, chamada Prainha. A aparência calma é enganadora, pois além do limite do cás a corretenza é muito forte e é muito profundo, tanto que é acesso a embarcações de médio porte. Ao fundo, vê-se parte da Serra Macaense e à esquerda um pedacinho do Morro São João.



Lá tem tudo o que amo, embora não se encontre em condições perfeitas. A cidade fica entre o rio e o mar, e as ruas antigas do centro são ainda em pé-de-moleque (pedaços de granito socados no chão, feitos ainda por escravos), com algumas calçadas gramadas e com canteiros, e casas coloniais ainda da época do império com seus telhados de olaria feitos, literalmente, nas coxas. Um lugar calmo para se ouvir a natureza, sentir o vento, andar ao ar livre - coisas que a maioria dos veranistas não sabem aproveitar, quando vão nos feriados ou alta temporada e ficam socados dentro dos carros, formando engarrafamentos e poluições, incapazes de andar um ou dois quilômetros para apreciar o ambiente. O melhor está do lado de fora, no vento que sopra, no sol que aquece, nos cheiros de mato e mar.

Casas coloniais do século XIX, quando Barra de São João apenas era uma bucólica aldeia de pescadores. Estas casas - não se engane, são casarões enormes - ficam na Av. Beira Rio e seus moradores têm uma abençoada vista do Rio São João com sua restinga natural e o Morro logo atrás, tal qual um gigante protegendo o seu reino.
Eu costumava dizer que o melhor de lá é a pouca gente que mora, resultando daí menos babacas por metro quadrado, o que infelizmente não ocorre na cidade grande, nem em bairros afastados. Ainda é possível caminhar ou pedalar por quilômetros sem encontrar uma viva alma humana pelo caminho, e na época em que morei em Rio das Ostras, fazia isso todos os dias: caminhava pela manhã, a pé ou de bicicleta, uns cinco ou mais quilômetros só para ir ao mercado - foi a época mais feliz para as minhas pobres pernas, kkk.

Quando comecei a frequentar a região - logo no ínicio de 1995 e eu então com meus saudosos 19 anos - o que mais me admirava é encontrar bicicletas sozinhas, paradas no meio fio, esperando por seus donos, sabe-se lá onde estivessem. O lugar era tão abençoado que se podia dormir com as portas abertas! Imagine isso à vista de um bicho de cidade grande como eu, que anda pelas ruas desconfiado daquele que passa por você a menos de um metro e que além de morar em condomínio fechado, tem muros que ocultam toda a vista da casa e as janelas têm grades chumbadas!?

Não é à toa que acreditei que aquilo fosse o esboço do paraíso e, desde o primeiro dia, em janeiro de 95, no feriado de São Sebastião (padroeiro do RJ), dia 20, eu me encantei e tive meu coração roubado pela bela cidadezinha, que, na verdade, é um distrito de Casimiro de Abreu e que Rio das Ostras (outrora também distrito da mesma cidade) fica de olho gordo nela, querendo agregá-la às suas dependências de toda forma, de olho na fatia de royalty do petróleo.


Foto de Danilo Pedroso. A capela de São João Batista é tombada pelo Iphan, como patrimônio histórico, e nos fundos dela, deitados eternamente em seu último berço a olhar para o mar aberto, os primeiros moradores da cidadezinha, inclusive o próprio poeta Casimiro de Abreu. Veja mais aqui.


Como pode notar por essas poucas linhas mal escritas, que Barra de São João é rio-mar-montanha, é também paz e tranquilidade para os espíritos cansados, é história, é cultura e até literatura! Está apenas a 174 km do Rio. Para ir do Rio para lá, você pode optar por dois caminhos, um mais longo e outro mais rápido, ambos com paisagens maravilhosas que felicitarão ainda mais a sua viagem.

>> Pela BR 106, depois de sair de Niterói, pegando o mesmo caminho que levará às praias da Região dos Lagos, como Araruama, São Pedro, Cabo Frio e Búzios. Nessa BR, você passará por algumas montanhas e praias. Chegará à Barra por Cabo Frio, pela Amaral Peixoto.

>> Pela BR 101, depois de sair de Niterói, pegando o caminho que vai para Rio Bonito (uma cidade construída nas montanhas!), e entrará em Barra de São João por Casimiro de Abreu. Nessa BR, você verá muuita roça e montanhas exuberantes, com sua floresta de Mata Atlântica ainda intocada em muitas áreas. São nessas que está o santuário dos Micos Leões Dourados. Tem uns restaurantes e lojas de artesanato na beira da estrada que merecem a sua visita!



Foto de Didi Rodrigues. Capela de São João Batista.

A ponte que caiu. Tombada duas vezes. A segunda como patrimônio histórico. Ao fundo, a Capela de São João e Prainha.

O Rio São João.

Navegável. Ainda possui uma margem de mangue intocado. Ao fundo, um pedaço do Morro São João.

Morro São João. O gigante adormecido.



Praça As Primaveras, centro de Barra, e a casa onde Casimiro de Abreu nasceu e passou a infância.

Termino esta postagem na certeza de não ter conseguido dizer tudo que queria e passar para você toda a impressão que tenho do lugar. O que esse lugar representa para mim é mais do que consigo expressar em palavras (o que é frustrante a uma aspirante a escritora), por isso enchi a postagem de fotos e, ainda assim, não acho suficientes, pois gostaria de mostrar a você todas as ruas da cidadezinha; todos os caminhos; as casas com seus quintais imensos e seus jardins, uns cuidados, outros mais naturais; suas árvores; sua orla, cuja praia tem uma enorme extensão gramada; as ondas que estouram forte no Praião; a vista distante de Rio das Ostras e Búzios; o Morro do Telégrafo, um apêndice de terra que entra na foz da Prainha e super tranquilo para se dar uma volta de exploração (até a minha mãe conseguiu fazer a caminhada, mesmo com seus problemas de saúde e idade). O que eu queria mesmo é te pegar pela mão e levar a todos os recantos de lá e apontar para tudo que acho gostoso e lindo, desde o chão de paralelepípedos, passando pelas casas coloniais, até as enormes amendoeiras que lá fazem dossel. Acho que, só assim, conseguiria exprimir a você os meus sentimentos por essa maravilhosa localidade =]

3 comentários:

Reviragita Poesia disse...

Lindo.
Visual e conteúdo.

mila disse...

Eu nunca fui a Barra de são joao, mais tenho muita vontade de conhecer, as fotos são lindas!!!

beijosss

http://dailyofbooks.blogspot.com/

Pat Kovacs disse...

Barra de São João é lindo e vale a pena conhecer. É uma cidadezinha bem pequena, para quem realmente não gosta de badalação.

Obrigada, Cecília e Mila, pela visita ao blog e pelos comentários ^^

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