23 de jul de 2013

Resenha – Caleidoscópio, de Pat Kovacs

Caleidoscópio é mais um livro da Série Snake Stories. O que isso significa, você poderá descobrir na resenha de Tempo Paralelo, em que explico sobre a peculiaridade dos livros dessa série.

Este Romance, quando uma fanfic, foi escrito quase simultaneamente a Tempo Paralelo (então fanfic Duas Realidade). A princípio, há algumas semelhanças no início dos dois livros. Foram os meus primeiros textos e eu estava ainda engatinhando na escrita.

Aqui não temos uma viagem no tempo, mas uma viagem a um mundo paralelo – uma estação metafísica entre a vida e a morte.

Dakini Shaitan é uma Desperta (uma pessoa comum que nasceu com propensão à Magia). Há oito anos, quando a guerra no Mundo Magnífico estava no auge, seus pais foram assassinados cruelmente no lugar dela, como represaria. A moça era uma militante do subgrupo Resistência Autônoma, que lutava contra o Exercito Negro de Anthrax.

O covarde ataque abalou profundamente as convicções da jovem. Sentindo-se insegura e desamparada, Dakini abdicou da Magia e abandonou o Mundo Magnífico, que é o mundo de magos e bruxos, uma sociedade apartada que oculta sua vida magística, embora muitas vezes se misturando às pessoas comuns (nós, os sem-magia).

Abandonando toda sua vida de Bruxa, Dakini cortou relações com todas as pessoas daquele mundo, deixando definitivamente de se usar a Magia e mergulhando em uma vida comum e até burocrática.

Apesar de ela ter se afastado do Mundo Magnifico e de tudo que o envolvia, a moça se depara com o pior deste mundo em um ataque de magos negros, os chamados Novos Soldados Escuros, em pleno centro financeiro de Londres, em que ela acaba vitimada por um terrível feitiço chamado “Crucificação pelo Fogo”.

Dakini não morre, sendo a primeira vítima a sobreviver ao tal terrível feitiço, mas acaba em coma profundo e morrer é apenas uma questão de tempo. Apenas um amor verdadeiro será capaz de se sacrificar para fazer com que ela se decida pela vida – e não com um beijo! Mas indo, através de Viagem Astral, até onde o Espírito da moça está a espera do trem de embarque que a levará para o Além Vida.

Essa é a primeira parte de Caleidoscópio, que se divide entre durante e depois do coma de Dakini. Na segunda parte, o Romance se torna mais ativo, menos espiritual, chegando próximo ao suspense policial.

Tanto um amor quanto um ódio do passado ressurgem na vida da moça, sem que alguma vez ela tivesse se dado conta da existência de ambos. E Dakini acaba novamente nos braços da Magia, adentrando o mundo que abandonou e revendo antigos afetos e desafetos, entre eles seu antigo jovem Mestre de Alquimagia, o soturno Angra Hellmann (pupilo de Hardock Lobo, de Tempo Paralelo), e o perigoso e insano Drákon Nagayuna.

Magia, romance, espiritualidade e até caçadas a magos negros fazem parte deste livro. Caleidoscópio conta várias história dentro de um mesmo Romance, em uma mistura de imagens que pode deixar-nos maravilhados ou atordoados.

Meu Achismo:

No início, há uma demasiada carga dramática que faz o livro parecer uma novela mexicana. A condição vitimista de Dakini chega a irritar algumas vezes juntamente com sua pirraça de não querer mais nenhum contato com o Mundo Magnífico.

Essa carga dramalhona se dissolve ao longo da história, embora retorne vez ou outra em cenas de reencontros que chegam a ser chatas!

O livro é dark do início ao fim, tendo poucas situações luminosas. Vida e Morte são abordadas várias vezes, tendo, inclusive, a morte de personagens importantes na trama.

Gosto mais do livro de sua metade para o fim, em que ele perde a narrativa lenta e demasiada dramática para ganhar mais ação, fluindo melhor o texto. E o final é surpreendente – e foi até mesmo para mim, que escrevi a história!

Certamente posso afirmar – e não apenas achar – que Caleidoscópio teve o meu amor e ódio quase que em doses iguais. Foi o Romance que mais enrolei para continuar e concluir, pois perdi a paciência várias vezes com a história e a protagonista.

Mas, no fim, foi um trabalho válido e que me serviu de muitas aprendizagens na escrita, sendo o que mais abusei de influências, que foram desde livros, filmes até música.

 

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