25 de abr de 2016

Uma Casa, Único Sonho


Quem me conhece, sabe qual o meu único "sonho", embora eu me recuse a chamar de sonho algo que é artigo de primeira necessidade: uma casa própria. Portanto, não tenho nenhum sonho, apenas uma necessidade.

Eu acredito que todos devem ter um lugar certo para si, onde se sinta, ao mesmo tempo, seguro e aconchegado. Não um lugar exatamente para chamar de SEU, no sentido material do termo, mas sim um canto para se chamar de LAR. Acho que são poucos aqueles que não se importam com isso, e vão vivendo ali e acolá sem se incomodar com o abrigo e o local desde que o acolha de alguma forma.

E também acho que o pior que pode acontecer a um ser humano é não ter onde morar e ficar jogado pelas ruas ou em abrigos duvidosos, ou ser obrigado a morar em locais insalubres, áreas de risco, ou morar em casas alheias sujeito aos humores do proprietário... ou mesmo "morar de favor", "morar juntado". Então acho que a pior coisa é uma pessoa não ter seu próprio recanto. Se não tem aquele espírito aventureiro, espírito de cigano ou nômade, fica mesmo muito difícil ser feliz morando onde lhe é imposto, seja pela questão financeira (e geralmente é essa a questão determinante de tudo), seja por imposição do destino mesmo ou o que mais estiver atuando nos bastidores da vida da pessoa.

Moro a vida inteira no mesmo local e na mesma casa. Quando estava com 24 anos, fiz a experiência de morar em outro lugar, mas quatro anos depois isso apenas se mostrou a pior armadilha que já me meti até hoje. Foi o período mais importante na vida de uma pessoa, em que você pode determinar como será os próximos anos até o fim. E foi quando pensei que, finalmente, a minha vida iria para frente e eu realizaria o sonho de infância: ter minha própria casa, de preferência bem longe do lugar que eu sempre detestei. De quebra, levaria minha mãe e meu tio para viverem lá (na época, região de Rio das Ostras e Barra de São João), e tinha certeza de que eles até ficariam curados da doença que os devorava e os levaria à morte, anos depois.

Passados todos esses anos, e agora eu estando nos primeiros dias dos meus 40 anos, essa necessidade sonhadora não se concretizou. E de acordo com a atual situação do país e tudo o que tenho em mãos, parece que jamais de concretizará.

Só para explicar uma parte meio mal contada aqui, já que estou me lamentando de estar todos esses anos no mesmo lugar e não ter um canto para chamar de 'meu lar': a casa onde moro é "de família", e há 300 herdeiros para um só imóvel. Isso significa que todos se sentem no direito de mandar e desmandar. E acho que só não me despejaram ainda porque têm medo de alguém pior tomar conta daquilo ali... imagina alguém que goste de barulho, encha a casa de gente a todo momento e tenha um bando de crianças para perturbar o dia inteiro? Pois é, eu, pelo menos, não ofereço esse tipo de perigo. 

Então, não sei se já reparou em postagens anteriores, mas sempre que quero inaugurar uma nova seção, conto alguma historinha antes. É a forma que tenho para deixar o blog sempre informal, bem pessoal e ainda assim tentar passar alguma informação ou conhecimento.

Um dos meus hobbies na internet é ver sobre decoração de ambientes. Sempre achei isso muito legal, tanto que, em uma determinada época, eu cheguei a adquirir revistas de decoração para usar de referência e inspiração para compor os cenários dos meus desenhos e das minhas histórias. Também gosto muito de arquitetura, mas da construção pronta e acabada, não de fazer plantas e coisas do tipo. Tenho várias fotos de casas e prédios que acho interessantes, que postarei aqui no PatriciaDo pouco a pouco. 

A decoração, a princípio, parece algo apenas fútil, um luxo desnecessário, afinal ninguém precisa decorar um lugar para morar nele. Mas decoração vai além de elementos bonitos e elegantes ajuntados num mesmo ambiente para fazer fotos para revistas, sites e blogs. A decoração pode ser funcional, dinâmica e facilitar muito o dia a dia, além de ser tipo uma roupagem do morador. Se muitas pessoas gostam de expressar a sua personalidade através do visual, nas roupas que vestem, nos cabelos, no comportamento, elas também gostam e querem que o seu recanto de acolhimento tenha a ver consigo e a faça se sentir bem no lugar que está. É esta a diferença essencial entre moradia e LAR.

Mas a casa precisa ter cara de lugar onde alguém mora e não cara de foto de revista. Não vejo sentido algum em ficar babando com a moradia e decoração da casa dos famosos (que tanto aparece em revistas e programas de fofocas), pois o que sempre aparece são ambientes lindos, sim, mas estéreis, frios, como se não fosse para serem frequentados. Eu devo ter mesmo mentalidade de hard pobre, porque prefiro muito mais uma casinha de interior ou de subúrbio, com sua decoração espontânea que reflete as experiências e vivências de seus moradores, do que essas megas moradias lindíssimas com visual determinado por um profissional pago para isso. Por melhor que seja o trabalho do decorador, o ambiente nunca terá uma parcela do espírito do seu morador, enquanto não for usado, abusado e modificado pelo mesmo.

O que farei aqui é o seguinte: sempre que eu puder, estiver na vibe da coisa, postarei sobre moradias e interiores de "gente comum". E trarei algumas coisas que venho aprendendo com essas andanças na internet, para servirem de inspiração para o leitor.

Então, fica aqui inaugurado mais duas seções: Casa e Decoração.

E se quiser participar, contribuir da sua forma, basta entrar em contato. Vou adorar postar aqui fotos de moradas reais, de pessoas reais.

Aguardo a sua manifestação :)



2 comentários:

camila disse...

Oi Pat, fotos tão lindas!!!
Eu tb queria um lar para chamar só de meu, mas ta tudo tão caro que fica complicado né..

Beijos Mila
Daily of Books

Pat Kovacs disse...

Então, Camila... de sonho, isso passa a ser delírio!
Beijos!

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